Instituição ligada ao “Dark Horse” recebeu R$ 5 milhões do GDF para atuar em escolas

Instituto Conhecer Brasil no DF firmou contrato de R$ 5 milhões para o Steam Maker em escolas públicas, com aditivo e prestação de contas em execução.
Karina Ferreira da Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil, ligado ao contrato do Steam Maker no DF
Karina Ferreira da Gama, presidente do ICB, entidade que recebeu R$ 5 milhões do GDF. (Foto: Rede Social)

O Instituto Conhecer Brasil no DF firmou contrato com o Governo do Distrito Federal (GDF) para executar o programa Steam Maker em escolas públicas da capital. A parceria, assinada em dezembro de 2023, chegou a R$ 5 milhões após aditivo em janeiro de 2025.

A entidade é presidida por Karina Ferreira da Gama, citada como produtora do filme “Dark Horse”. O instituto foi alvo de operação policial nesta segunda-feira (1º), o que levou o contrato educacional no DF ao centro de novas cobranças sobre gasto público, entrega de equipamentos e controle.

Documentos da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) vinculam o Instituto Conhecer Brasil ao Termo de Colaboração nº 02/2023, ligado ao Programa Desafio DF. Conforme publicado pelo ICL Notícias, o projeto previa laboratórios maker e ações de educação tecnológica em 16 escolas públicas.

A gestão do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) assinou a parceria. O ponto central agora é saber o que foi entregue, quais escolas receberam os laboratórios, quais empresas participaram da execução e por que houve aditivo de R$ 1 milhão enquanto a prestação de contas ainda constava como “TC em execução”.

Instituto Conhecer Brasil no DF previa Smart Labs e impressoras 3D

O plano de trabalho do Steam Maker no Distrito Federal previa capacitação de professores, uso de impressoras 3D, kits de eletrônica, plataformas digitais, ferramentas de monitoramento pedagógico e laboratórios móveis chamados de Smart Labs.

O programa foi apresentado como uma iniciativa de educação tecnológica baseada na metodologia STEAM, sigla para ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática. A proposta era levar recursos de criação, prototipagem e formação digital para estudantes e docentes da rede pública.

Entre os itens previstos no material institucional do Instituto Conhecer Brasil estavam:

  • capacitação híbrida de professores;
  • ambiente digital de formação;
  • repositório colaborativo;
  • notebooks;
  • impressoras 3D;
  • máquinas de corte a laser;
  • kits de eletrônica;
  • ferramentas manuais e elétricas;
  • materiais consumíveis.

O pacote também incluía monitoramento contínuo, pesquisas de satisfação, avaliações trimestrais, acompanhamento pedagógico e relatórios periódicos enviados à FAPDF. Esses elementos tornam a execução mensurável: é possível verificar escola por escola, equipamento por equipamento e relatório por relatório.

Contrato do Instituto Conhecer Brasil no DF teve aditivo de R$ 1 milhão

O contrato original foi firmado em dezembro de 2023 com valor superior a R$ 4 milhões. Em janeiro de 2025, a parceria recebeu novo aditivo de R$ 1 milhão, elevando o total para R$ 5 milhões.

Dados disponíveis no portal da FAPDF indicam que, até dezembro de 2024, R$ 4 milhões já haviam sido liberados ao projeto. A prestação de contas, porém, seguia classificada como “TC em execução”.

Esse ponto exige resposta administrativa direta. A liberação de recurso, por si só, não prova falha. Mas a combinação entre dinheiro repassado, aditivo posterior, escolas públicas atendidas e operação contra a entidade cria dever de transparência sobre a execução.

GDF foi questionado sobre escolas, entregas e auditoria

A reportagem procurou o Governo do Distrito Federal e a Secretaria de Educação para saber quais escolas receberam os laboratórios, quais equipamentos foram efetivamente entregues e qual foi o valor total executado até agora.

Também foram enviados questionamentos sobre empresas contratadas, critérios usados para justificar o aditivo de R$ 1 milhão e eventual auditoria, procedimento de controle, investigação ou apuração administrativa relacionada ao Instituto Conhecer Brasil e Dark Horse.

Até a publicação, o GDF e a Secretaria de Educação não haviam respondido. A ausência de esclarecimento mantém sem resposta a parte mais concreta do caso: se os equipamentos chegaram às escolas, se os professores foram capacitados e se o programa foi executado conforme o plano aprovado.

Foto de Adriana Rodrigues

Adriana Rodrigues

Adriana Rodrigues é jornalista e Coordenadora de Relacionamento e Operações do Sistema BNTI de Comunicação. Contribui editorialmente com o J1 News, o Economic News Brasil e o Boa Notícia Brasil. É pós-graduada em Marketing pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e em Recursos Humanos pela Universidade Estadual do Ceará (UECE).

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