Segundo turno na Colômbia opõe campo de Petro e direita pró-EUA

Segundo turno na Colômbia terá Iván Cepeda e Abelardo de la Espriella em eleição marcada por contestação de Petro à pré-contagem.
Abelardo de la Espriella cumprimenta apoiadores após pré-contagem da eleição presidencial colombiana que levou ao segundo turno na Colômbia
Abelardo de la Espriella aparece cercado por apoiadores após pré-contagem da eleição presidencial colombiana (Reprodução/YouTube)

O segundo turno na Colômbia colocará Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda frente a frente em 21 de junho, após pré-contagem divulgada no domingo (31/05). A disputa pode alterar o alinhamento regional do país.

A pré-contagem apontou De la Espriella, candidato da oposição de extrema-direita, com 43,7% dos votos, ou 10.361.499 votos. Cepeda, candidato governista de esquerda, apareceu com 40,9%, ou 9.688.361 votos, diferença de 673.138 votos.

A eleição presidencial colombiana ganhou tensão depois que o presidente Gustavo Petro afirmou não reconhecer os dados preliminares apurados por empresas privadas. Ele citou alterações no software de contagem e inclusão de 800 mil fichas de inscrição eleitoral fora do censo oficial.

O efeito político ultrapassa a troca de governo. A Colômbia, segundo país mais populoso da América do Sul, pode manter a linha do Pacto Histórico, bloco de Petro, ou retomar uma aproximação mais forte com os Estados Unidos.

Segundo turno na Colômbia testa continuidade do campo Petro

Iván Cepeda representa o campo governista que tenta suceder a experiência aberta por Petro em 2022, quando a Colômbia elegeu o primeiro presidente de esquerda de sua história. Petro não pode disputar a eleição porque o país não permite reeleição presidencial.

O resultado da eleição na Colômbia ainda depende da divulgação oficial, mas a pré-contagem já abriu disputa sobre a validade política dos números preliminares. As pesquisas de intenção de voto vinham apontando Cepeda à frente antes da votação.

O Pacto Histórico busca preservar uma agenda associada a pautas sociais, ambientais e de integração regional. Segundo Matheus Petrelli, pesquisador do Observatório Político Sul-Americano (OPSA) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Petro tentou se aproximar politicamente de Luiz Inácio Lula da Silva nesse contexto.

Direita pró-EUA vê chance de reposicionar Bogotá

Abelardo de la Espriella usou o resultado preliminar para acusar Petro de tentar desestabilizar o país. Em discurso, o oposicionista citou risco à democracia e pediu que os Estados Unidos e países democráticos acompanhem o segundo turno.

O apelo leva a disputa eleitoral ao campo internacional. Uma vitória de De la Espriella representaria, segundo Petrelli, a retomada de um vínculo mais estreito com Washington, relação que marcou a política externa colombiana antes da chegada de Petro ao poder.

Conforme publicado pelo UOL, a repercussão regional também colocou De la Espriella no radar da direita sul-americana. Após a pré-contagem, os presidentes Daniel Noboa, do Equador, e Javier Milei, da Argentina, parabenizaram o candidato da oposição.

A disputa concentra três efeitos regionais ainda em aberto:

  • continuidade do Pacto Histórico na política externa colombiana;
  • maior aproximação com Washington em caso de vitória da direita;
  • peso da Colômbia no eixo Pacífico-Caribe da América do Sul.

A Colômbia tem importância estratégica por ter saída para o Pacífico e para o Caribe. Até 2022, o país era considerado uma das principais bases de alinhamento dos Estados Unidos na América do Sul, sobretudo em segurança regional.

Pré-contagem eleitoral colombiana não define resultado oficial

A pré-contagem eleitoral colombiana tem caráter informativo e não substitui o resultado oficial das comissões de apuração. O Registro Nacional de Estado Civil afirma que esses dados não constituem documento eleitoral capaz de definir uma eleição, mantendo o escrutínio oficial como etapa decisiva.

Petro afirmou haver dois censos em circulação: o oficial e o sistema atribuído a Felipe, Camilo e Fernando Bautista, donos da Thomas Greg & Sons, empresa ligada à contagem preliminar. A espanhola Indra também participa do processo. Segundo Petro, seções contestadas indicariam votos adicionados sem eleitores inscritos, razão pela qual ele disse que só aceitará os resultados das comissões eleitorais supervisionadas por juízes.

A contestação também alcançou Iván Cepeda, que citou 885 mil fichas de inscrição eleitoral e relatos de padrões atípicos em número ainda indeterminado de seções. Na Colômbia, onde o voto não é obrigatório, votaram 57,8% dos mais de 41 milhões de eleitores, com brancos e nulos em cerca de 3%. Matheus Petrelli lembra que esse tipo de pré-contagem já ocorreu antes e era criticado por Petro.

Foto de Adriana Rodrigues

Adriana Rodrigues

Adriana Rodrigues é jornalista e Coordenadora de Relacionamento e Operações do Sistema BNTI de Comunicação. Contribui editorialmente com o J1 News, o Economic News Brasil e o Boa Notícia Brasil. É pós-graduada em Marketing pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e em Recursos Humanos pela Universidade Estadual do Ceará (UECE).

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