O conflito entre Estados Unidos e Irã ganhou um novo nível de tensão após ataques contra infraestrutura estratégica no sul do Irã e no Kuwait. Os Estados Unidos bombardearam pontes em território iraniano, enquanto Teerã respondeu com um ataque a uma usina de geração de energia e dessalinização no Kuwait, ampliando a preocupação internacional com possíveis impactos sobre o abastecimento de energia e a segurança das rotas marítimas no Oriente Médio.
Segundo a imprensa iraniana, cinco pontes foram atingidas no sul do país. Em Bandar Khamir, sete pessoas teriam morrido após os bombardeios, que também atingiram uma estação ferroviária. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que três moradores morreram enquanto atravessavam uma das pontes e declarou que o país não permitirá que o sangue das vítimas “seja derramado em vão”.
No mar, a tensão também aumentou. Fuzileiros navais dos Estados Unidos abordaram um petroleiro próximo ao Estreito de Ormuz, enquanto homens armados apreenderam outra embarcação nas proximidades do Iêmen. A agência iraniana Tasnim informou ainda que a Guarda Revolucionária atacou um navio com bandeira da Tailândia que tentava atravessar o estreito, embora não tenha divulgado mais detalhes sobre a operação.
Os incidentes ocorrem em uma região que concentra algumas das principais rotas de exportação de petróleo do mundo. A alta do petróleo Brent após os novos ataques reflete a preocupação do mercado com possíveis interrupções no transporte de energia caso a escalada continue afetando o Estreito de Ormuz e a entrada do Mar Vermelho.
O Irã também anunciou ataques contra países do Golfo que abrigam bases militares americanas, incluindo Bahrein, Catar e Kuwait, além de uma ação contra um navio dos Estados Unidos no norte do Oceano Índico. No Kuwait, autoridades informaram que a usina de energia e dessalinização sofreu danos e registrou incêndio, enquanto estilhaços atingiram outros locais do país. O Exército informou que não houve vítimas fatais, embora militares tenham ficado feridos em ataques com drones.
A escalada provocou reação da Organização das Nações Unidas (ONU). O secretário-geral António Guterres manifestou preocupação com os ataques contra infraestrutura civil no Irã e em outros países da região. Já o Comando Central dos Estados Unidos informou que retomou ataques pelo sétimo dia consecutivo e afirmou que as operações têm como alvo infraestrutura logística militar.
O acordo de cessar-fogo firmado entre os dois países em junho deixou de vigorar após novos confrontos registrados desde o início de julho. Com ataques atingindo pontes, instalações de energia e corredores marítimos, cresce o temor de que novos episódios possam ampliar os impactos sobre o abastecimento de energia, o comércio internacional e a segurança da navegação no Oriente Médio.