A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) conseguiu que ele fosse ouvido pela Polícia Federal (PF) antes da conclusão da investigação que apura uma suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou o depoimento para o próximo dia 28, após a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar favoravelmente à realização da oitiva.
Os advogados do senador alegaram que Flávio ainda não havia sido ouvido durante a fase de investigação e solicitaram que ele pudesse apresentar sua versão dos fatos antes da manifestação final da PGR. Na decisão, Moraes registrou que o Ministério Público concordou com o retorno do procedimento à Polícia Federal para que o depoimento fosse realizado.
A investigação teve origem em uma publicação nas redes sociais em que Flávio Bolsonaro comparou Lula ao ditador venezuelano Nicolás Maduro e escreveu que o presidente “será delatado”. Segundo a Polícia Federal, a postagem atribuiu falsamente a Lula crimes como tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e apoio a organizações terroristas, o que fundamenta a apuração por suposta calúnia.
Com a realização da oitiva, a investigação retorna à Polícia Federal apenas para a coleta do depoimento do senador. Essa etapa não representa uma conclusão sobre o caso nem significa que haverá denúncia, mas garante que a versão do investigado seja incorporada aos autos antes da análise final da Procuradoria-Geral da República.
Depois que o depoimento for concluído, o procedimento voltará à PGR. Caberá ao órgão decidir se apresenta denúncia ao STF, solicita novas diligências para ampliar a apuração ou defende o arquivamento da investigação. Até o momento, não há denúncia apresentada nem julgamento sobre o mérito do caso.