Tarifa de 25% dos EUA não atinge a maior parte das exportações brasileiras

Embora os Estados Unidos tenham anunciado tarifa de 25%, a maior parte dos produtos brasileiros ficou fora da cobrança máxima. Entenda quem deve sentir os maiores efeitos.
Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva em montagem que representa a disputa comercial entre Estados Unidos e Brasil após o anúncio das novas tarifas sobre exportações brasileiras.
As novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos reacenderam a tensão comercial entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto Brasil prepara resposta e busca negociar os impactos sobre as exportações.(Imagem:Editorial).

O anúncio de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos deu a impressão de que todas as exportações do país seriam atingidas da mesma forma. Na prática, porém, isso não deve acontecer. Dados do Global Trade Alert (GTA) mostram que a maior parte dos produtos vendidos pelo Brasil ao mercado americano ficou fora da cobrança máxima graças às exceções previstas pelo governo dos EUA.

Segundo os cálculos da entidade, a tarifa efetiva média ficará em 14,42%, percentual inferior aos 25% anunciados oficialmente. A diferença ocorre porque milhares de produtos permanecem isentos ou sujeitos a alíquotas menores, reduzindo o impacto médio sobre as vendas brasileiras.

Na prática, apenas cerca de um quarto das exportações brasileiras deverá pagar a tarifa máxima de 25%. Considerando os valores exportados em 2024, isso representa aproximadamente US$ 8,5 bilhões de um total de US$ 39,6 bilhões enviados aos Estados Unidos.

Entre os produtos que continuam sujeitos às tarifas estão itens como açúcar, máquinas agrícolas, máquinas elétricas, papel, aço e vestuário. Já a lista de exceções foi ampliada nesta semana e passou a incluir produtos como mel orgânico, ferro-gusa e café solúvel sem sabor, além de diversos outros itens que já estavam dispensados da cobrança integral.

Esse detalhe ajuda a entender por que o impacto não será igual para todos os setores. Para o professor Rodrigo Zeidan, da New York University Shanghai e da Fundação Dom Cabral, empresas que produzem bens industriais altamente especializados tendem a enfrentar mais dificuldades caso percam espaço no mercado americano, porque esses produtos costumam ter menos compradores alternativos no exterior. Já mercadorias mais padronizadas, como várias commodities, podem encontrar novos destinos com maior facilidade.

Mesmo com a lista de exceções, o levantamento do GTA mostra que o Brasil passou a ser o país que mais registrou aumento da tarifa efetiva aplicada pelos Estados Unidos desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. A alíquota média, que era de 1,19% no fim do governo Joe Biden, deverá chegar a 14,42% quando as novas medidas entrarem em vigor.

O governo brasileiro repudiou a decisão e informou que pretende acionar a Lei de Reciprocidade, além de levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). As negociações entre os dois países, porém, continuam abertas, e novas mudanças nas listas de produtos ainda poderão ocorrer caso haja avanço nas tratativas

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Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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