Fraude em concurso afasta 17 servidores e suspende nomeações de aprovados em SC

A terceira fase da Operação Electus levou ao afastamento de 17 servidores públicos e à suspensão temporária da nomeação de oito candidatos aprovados, enquanto a Justiça investiga suspeitas de manipulação de concursos no oeste catarinense.
Operação Electus cumpre mandados em Santa Catarina durante investigação sobre fraude em concurso público, que resultou no afastamento de 17 servidores e na suspensão da nomeação de oito candidatos aprovados.
Operação Electus investiga suspeita de fraude em concursos públicos no oeste de Santa Catarina; Justiça afastou servidores e suspendeu nomeações de candidatos aprovados.(Imagem:MPRS).

Uma investigação sobre suposta fraude em concurso público já começou a produzir efeitos diretos na administração pública de municípios do oeste de Santa Catarina. Em decisão judicial, 17 servidores foram afastados de suas funções e oito candidatos aprovados tiveram a nomeação suspensa temporariamente, enquanto o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apura suspeitas de manipulação de concursos públicos e processos seletivos.

As medidas foram cumpridas nesta quinta-feira (16), durante a terceira fase da Operação Electus, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). Além dos afastamentos e da suspensão das nomeações, a Justiça autorizou o cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão nos municípios de São Bernardino e São Lourenço do Oeste. A investigação é conduzida pela Promotoria de Justiça da Comarca de Campo Erê.

Investigação aponta suspeita de favorecimento

Segundo o Ministério Público, há indícios de que uma empresa responsável pela organização de concursos públicos e processos seletivos teria manipulado certames realizados nos municípios de São Bernardino e Saltinho para favorecer candidatos previamente escolhidos.

As apurações indicam suspeitas de manipulação de gabaritos das provas e possíveis irregularidades com participação de servidores públicos municipais. Até o momento, a identidade dos investigados não foi divulgada, e o processo tramita sob sigilo.

O que muda para quem participou do concurso

As medidas determinadas pela Justiça mostram que uma investigação pode produzir efeitos antes mesmo da conclusão do processo. Quando há indícios de irregularidades capazes de comprometer a lisura de um certame, a Justiça pode adotar medidas cautelares para preservar a apuração, como suspender nomeações e afastar temporariamente servidores ligados aos concursos investigados.

Isso não significa que todos os candidatos aprovados sejam investigados ou tenham participado de qualquer irregularidade. No caso da Operação Electus, a suspensão das nomeações busca impedir que novos atos administrativos sejam concluídos enquanto a legalidade dos concursos é analisada.

Operação é desdobramento de apurações iniciadas em 2025

A terceira fase da Operação Electus dá continuidade às diligências realizadas em junho e outubro de 2025, quando o Gaeco cumpriu medidas nos municípios de São Bernardino, Campo Erê e Palmitos para aprofundar as investigações sobre um suposto esquema destinado a fraudar concursos públicos e favorecer determinados candidatos.

Nesta nova etapa, os investigadores procuram documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam esclarecer como o grupo supostamente atuava e identificar todos os envolvidos.

O nome da operação faz referência à palavra latina electus, que significa “escolhido” ou “eleito”, em alusão à suspeita de que candidatos eram previamente selecionados para serem beneficiados nos concursos investigados.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

Veja também

Mais lidas