Após decisão de Flávio Dino, partidos correm para explicar como distribuem emendas

Decisão do STF obrigou dirigentes de 21 partidos a detalhar como ocorre a indicação de emendas parlamentares, após declarações que colocaram a atuação das cúpulas partidárias no centro da investigação.
Flávio Dino durante decisão que determinou que partidos expliquem ao STF como ocorre a indicação de emendas parlamentares.
Ministro Flávio Dino determinou que presidentes de 21 partidos expliquem ao STF como funciona a indicação de emendas parlamentares.(Imagem:Victor Piemonte/STF).

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu uma nova frente na investigação sobre emendas parlamentares. Em vez de mirar apenas deputados e senadores, o ministro determinou que os presidentes de 21 partidos com representação no Congresso Nacional expliquem, em até dez dias úteis, como funciona a indicação desses recursos e qual é a participação das direções partidárias nesse processo.

A cobrança ocorreu após Dino citar uma entrevista do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que admitiu participar da definição do destino de emendas. A declaração levou o ministro a concluir que era necessário esclarecer se dirigentes partidários exercem influência sobre uma atribuição que, segundo a Constituição, pertence aos parlamentares com mandato.

Declaração de Valdemar ampliou a investigação

Na entrevista mencionada na decisão do STF, Valdemar afirmou que ajudava a indicar o destino de emendas de parlamentares que não mantinham relação política com determinados municípios. Como exemplo, citou o deputado Tiririca, dizendo que colaborava na definição de recursos destinados a cidades paulistas.

Ao justificar a medida, Flávio Dino destacou que o próprio dirigente afirmou que outros presidentes de partidos também atuariam de forma semelhante. A partir dessa declaração, o ministro decidiu solicitar informações formais às legendas para entender como funciona, na prática, a distribuição das emendas.

A investigação também alcançou o ex-deputado Eduardo Cunha, citado em decisões recentes do ministro por suspeitas de atuação na destinação de recursos públicos mesmo sem exercer mandato parlamentar. O STF apura se pessoas sem mandato participaram da indicação de emendas, atividade que deve ser exercida exclusivamente por deputados e senadores.

Partidos adotam cautela para responder ao STF

A determinação provocou reações distintas entre as legendas. O MDB informou que seu departamento jurídico analisa a decisão antes de apresentar uma resposta, ressaltando que, em regra, a indicação de emendas é prerrogativa dos parlamentares.

PSOL e Novo negaram utilizar esse tipo de prática. Outras siglas também passaram a avaliar a decisão internamente, mas nenhuma indicou que pretende deixar de atender à determinação do Supremo.

As respostas deverão esclarecer qual é a participação das direções partidárias na escolha dos municípios beneficiados e até onde vai a atuação administrativa das legendas na organização das emendas parlamentares.

Caso de servidora da Câmara também entra no radar

Paralelamente, deputados articulam um requerimento de informação para esclarecer a atuação da servidora Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, na Câmara dos Deputados.

Os parlamentares querem saber em qual setor ela está lotada, quais funções exerce e a quem responde administrativamente. O pedido surgiu após informações de que a servidora teria atuado em procedimentos relacionados a emendas de Progressistas, PL e Republicanos.

O objetivo é verificar se sua atuação se limitava ao suporte técnico ou se havia participação na operacionalização das emendas parlamentares, ponto que também passou a ser observado no avanço das investigações conduzidas pelo STF.

Com a decisão de Flávio Dino, a apuração deixa de analisar apenas o destino dos recursos públicos e passa a buscar respostas sobre quem efetivamente participa da definição das emendas dentro da estrutura partidária, tema que agora deverá ser esclarecido pelas legendas ao Supremo.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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