Tarifa de 25% dos EUA ao Brasil mira quase 4 mil produtos; veja o que motivou a decisão

Os Estados Unidos confirmaram a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após concluir investigação comercial. O governo americano aponta práticas consideradas desleais, enquanto o Brasil contesta as justificativas e vê motivação política na medida.
Donald Trump durante anúncio da tarifa de 25% aplicada a produtos brasileiros após investigação comercial dos Estados Unidos.
Donald Trump confirmou a aplicação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após a conclusão da investigação comercial conduzida pelo USTR.(Imagem:FRANCIS CHUNG/EFE/EPA).

A confirmação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos abre uma nova etapa da disputa comercial entre os dois países e pode gerar reflexos para empresas, trabalhadores e regiões que dependem das exportações para o mercado norte-americano. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 4 mil produtos podem ser afetados, colocando aproximadamente US$ 14,9 bilhões em exportações sob risco.

A cobrança é feita sobre produtos brasileiros que entram no mercado americano. Na prática, isso pode tornar esses itens mais caros para compradores nos Estados Unidos, reduzindo a competitividade de empresas brasileiras. Caso as vendas diminuam, setores exportadores podem rever investimentos, produção e até contratações, embora o impacto varie conforme cada segmento.

O que levou os EUA a aplicar a tarifa

A decisão foi tomada após investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O órgão afirma que o Brasil adota práticas consideradas desleais para empresas norte-americanas.

Entre os principais pontos citados estão:

  • comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, incluindo críticas ao ambiente regulatório do Pix;
  • tarifas preferenciais concedidas a países como México e Índia;
  • combate à corrupção, considerado insuficiente pelo USTR;
  • proteção da propriedade intelectual, com críticas ao combate à pirataria e à demora na concessão de patentes;
  • acesso ao mercado de etanol;
  • combate ao desmatamento ilegal.

O relatório também afirma que o Pix cria vantagens competitivas em relação a empresas privadas estrangeiras que oferecem serviços de pagamento digital. O Banco Central brasileiro não é alvo de sanções, mas aparece citado nas justificativas da investigação.

Governo brasileiro contesta a decisão

No Palácio do Planalto, a avaliação é de que os argumentos apresentados pelos Estados Unidos não possuem base técnica suficiente e têm caráter político. Integrantes do governo destacam que o comércio bilateral registra superávit para os próprios norte-americanos, contrariando a justificativa de desequilíbrio apresentada por Washington.

Durante as audiências promovidas pelo USTR, a maior parte das empresas e associações participantes se manifestou contra a aplicação das tarifas. Entre os inscritos esteve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que afirmou que aquele seria o pior momento para a adoção da medida por ocorrer em período pré-eleitoral, sustentando que ela poderia beneficiar politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Quais produtos podem ser ser afetados

Segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a tarifa pode atingir cerca de 4 mil produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Entre os itens citados pela entidade estão:

  • ferro-gusa não ligado;
  • açúcar bruto;
  • álcool etílico;
  • molduras de madeira;
  • hidróxido de alumínio.

A CNI estima que o impacto potencial alcance US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras, caso as tarifas sejam aplicadas aos produtos previstos.

Nova investigação pode elevar a taxação

Além da tarifa de 25%, o governo brasileiro acompanha uma segunda investigação aberta pelos Estados Unidos, desta vez relacionada à exploração de trabalho forçado em cadeias produtivas.

Se essa nova apuração também resultar em cobrança adicional, alguns setores poderão enfrentar uma taxação total de até 37,5% sobre produtos exportados aos Estados Unidos. O governo brasileiro afirma que continuará acompanhando o caso e avalia as medidas que poderão ser adotadas diante da decisão norte-americana.

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Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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