Segurança, pedágios e Sabesp viram centro da disputa pelo voto no interior de SP

As campanhas de Lula e Fernando Haddad querem reduzir a vantagem de Tarcísio de Freitas no interior paulista apostando em debates sobre segurança pública, pedágios, saneamento e relação com as prefeituras.
Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Haddad durante agenda política da campanha voltada ao interior de São Paulo.
Lula e Fernando Haddad apostam no interior paulista como prioridade para ampliar apoio na disputa eleitoral.(Imagem:Ricardo Stucker/PR).

A corrida pelo governo de São Paulo deve transformar segurança pública, pedágios eletrônicos, saneamento e apoio aos municípios nos principais temas da disputa pelo voto no interior paulista. A estratégia das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Haddad (PT) busca diminuir a vantagem do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) justamente na região onde a direita teve desempenho mais forte nas últimas eleições.

Em vez de concentrar a campanha apenas em alianças políticas, os petistas pretendem levar ao debate assuntos que fazem parte da rotina dos moradores do interior. A expansão dos pedágios no sistema free flow, a privatização da Sabesp, a segurança pública e a relação do Estado com as prefeituras serão usados como argumentos para tentar ampliar a presença do partido na região.

Nomes conhecidos entram em campo para abrir espaço no interior

A estratégia também aposta em políticos que já possuem trajetória consolidada em São Paulo. Geraldo Alckmin, ex-governador e atual vice-presidente da República, é visto como o principal articulador para aproximar a campanha de prefeitos e lideranças regionais. Ao seu lado estará Márcio França, candidato a vice-governador, que também construiu carreira política no estado.

A chapa ainda contará com Simone Tebet e Marina Silva na disputa pelas vagas ao Senado. A avaliação da coordenação petista é que Tebet pode ampliar o diálogo com representantes do agronegócio e do empresariado, enquanto Marina reforça a pauta ambiental e amplia o alcance da campanha junto a outros segmentos do eleitorado.

Segurança aparece como principal desafio eleitoral

Embora a segurança pública seja um dos temas escolhidos para a campanha, os números mostram que esse será um dos maiores desafios para Fernando HaddadPesquisa Atlas/Estadão aponta que 57% dos paulistas confiam mais em Tarcísio para enfrentar a criminalidade, enquanto 39% preferem Haddad. O mesmo levantamento mostra que 60% dos entrevistados consideram a criminalidade um dos principais problemas do Estado.

Além da segurança, a campanha pretende intensificar críticas à privatização da Sabesp e ao avanço dos pedágios eletrônicos, que, segundo aliados petistas, aumentam o custo para motoristas. Outro ponto será a relação do governo estadual com os municípios do interior, tema que o partido pretende explorar ao longo da campanha.

Governo rebate críticas e destaca investimentos

O governo paulista contesta a avaliação da oposição. Em nota, afirma manter diálogo permanente com os 645 municípios, informa ter realizado mais de 500 agendas no interior, litoral e Grande São Paulo desde 2023 e destaca o repasse de mais de R$ 3 bilhões em convênios para obras municipais.

Sobre a Sabesp, o governo afirma que a desestatização permitiu ampliar investimentos e antecipar a universalização do saneamento para 2029. Em relação ao sistema free flow, sustenta que a implantação ocorre gradualmente, com campanhas de orientação aos motoristas e cobrança apenas pelo trecho efetivamente percorrido.

O desafio da campanha petista também aparece no histórico eleitoral. No segundo turno de 2022, Haddad venceu em apenas 79 dos 645 municípios paulistas, enquanto Tarcísio conquistou 566 cidades. Além disso, PT e PSB administram juntos apenas 14 prefeituras, enquanto o Republicanos e partidos aliados controlam 586 municípios, vantagem que amplia a capilaridade política do governador justamente na região considerada decisiva para a eleição.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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