A uma semana da convenção nacional do PL, marcada para o próximo sábado (25), o partido trabalha com um cenário que até poucas semanas atrás era tratado como improvável: oficializar apenas a candidatura de Flávio Bolsonaro e deixar a escolha do vice para depois. A alternativa ganhou espaço após sucessivas dificuldades para fechar acordos com partidos aliados e ampliar a chapa presidencial.
A legislação eleitoral permite que a definição do companheiro de chapa ocorra até 5 de agosto, último dia do período das convenções, desde que a executiva nacional receba autorização para concluir as negociações. Na prática, isso evita atraso no calendário da campanha, mas evidencia que o principal objetivo político do PL — ampliar sua base de apoio antes da largada oficial — ainda não foi alcançado.
Estratégia para atrair aliados perdeu força
Nos últimos meses, a campanha tratou a vaga de vice-presidente como um dos principais instrumentos para negociar alianças. A expectativa era atrair partidos do Centrão e fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro já no início da disputa eleitoral.
A principal aposta era um entendimento com a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. As conversas, porém, perderam força após divergências internas e o desgaste da relação entre Flávio e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Hoje, dirigentes das duas legendas classificam uma composição como pouco provável.
Sem avanço nesse bloco, o PL passou a negociar com Republicanos e Podemos. As duas siglas ainda discutem internamente se participarão da disputa presidencial ou permanecerão neutras, o que mantém indefinida qualquer indicação para a Vice-Presidência e reduz as chances de um acordo antes da convenção.
Preferência de Flávio enfrenta resistência política
Enquanto as negociações seguem abertas, Flávio Bolsonaro mantém a preferência por uma mulher na chapa. A favorita é a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, atualmente filiada ao Republicanos. A estratégia busca reduzir a rejeição da candidatura entre o eleitorado feminino, maioria entre os brasileiros aptos a votar, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O nome de Daniella, no entanto, enfrenta resistência dentro do próprio Republicanos e também entre integrantes do PL. O presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, defende um vice com maior capacidade de atrair alianças políticas e já declarou preferência pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), embora essa possibilidade também dependa de um acordo com a União Progressista.
Nos últimos meses, outras alternativas chegaram a ser avaliadas pela campanha, como Simone Marquetto (PP-SP), Clarissa Tércio (PP-PE) e, mais recentemente, a deputada Júlia Zanatta (PL-SC), defendida por Eduardo Bolsonaro. Nenhum desses nomes, porém, consolidou consenso entre as lideranças envolvidas nas negociações.
Ala feminina também perdeu espaço nas articulações
Antes da saída de Michelle Bolsonaro do comando do PL Mulher, dirigentes da ala feminina chegaram a elaborar uma lista de possíveis candidatas para compor a chapa presidencial. A ruptura interna interrompeu essa articulação e aumentou a percepção de que a definição do vice passou a depender mais das negociações partidárias do que da estratégia eleitoral voltada ao eleitorado feminino.
Com a convenção se aproximando, o PL tenta evitar chegar ao evento sem anunciar uma chapa completa. Caso isso não seja possível, a decisão sobre o vice poderá ficar nas mãos da executiva nacional até o encerramento do calendário das convenções, mantendo em aberto uma das principais definições da campanha presidencial.