Flávio Bolsonaro e Lula chegam a 2026 com rejeição perto de 50%, aponta BTG/Nexus

Levantamento mostra que os dois principais nomes da disputa presidencial concentram os maiores índices de rejeição entre os eleitores, enquanto a avaliação do governo Lula segue dividida no país.
Montagem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em reportagem sobre a pesquisa BTG/Nexus para a eleição presidencial de 2026.
Pesquisa BTG/Nexus indica que Lula e Flávio Bolsonaro chegam ao cenário da eleição de 2026 com índices elevados de rejeição entre os eleitores.(Imagem:Ricardo Stuckert e Sergio Lima/AFP).

A nova pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (27), mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entram na pré-campanha presidencial de 2026 com um desafio em comum: conquistar eleitores além de suas bases de apoio. O levantamento aponta que 50% dos entrevistados rejeitam Flávio Bolsonaro, enquanto 48% afirmam que não votariam em Lula, indicando que os dois principais polos da disputa enfrentam resistência de quase metade do eleitorado.

Os números mostram que, embora ambos mantenham grupos consolidados de apoiadores, a elevada rejeição pode limitar o potencial de crescimento ao longo da campanha, já que representa o contingente de eleitores que afirma não votar em determinado candidato em nenhuma hipótese.

No caso de Flávio Bolsonaro25% dos entrevistados afirmam que ele é o único candidato em quem votariam, enquanto 21% dizem que poderiam escolhê-lo, mas também considerariam outro nome, dependendo do cenário eleitoral. Outros 3% declararam não conhecer o senador, e 1% não soube ou preferiu não responder.

Já Lula aparece com 48% de rejeição, mas sua avaliação como presidente apresenta um cenário ligeiramente diferente. Segundo a pesquisa, 47% aprovam o governo, enquanto 49% desaprovam a gestão e 4% não souberam responder. Em relação ao levantamento anterior, divulgado em meados de julho, a aprovação permaneceu em 47%, enquanto a desaprovação passou de 47% para 49%, oscilação dentro da margem de erro.

O contraste entre os dois indicadores chama atenção: embora 47% aprovem o governo48% dizem que não votariam em Lula, mostrando que parte do eleitorado diferencia a avaliação da administração federal da disposição de apoiar novamente o presidente nas urnas.

Polarização permanece, mas com desgaste dos dois lados

A pesquisa sugere que a polarização entre os grupos liderados por Lula e Flávio Bolsonaro continua dominando o cenário político. Ao mesmo tempo, os dois principais nomes da disputa aparecem como os mais rejeitados entre os presidenciáveis, um indicativo de que ambos precisarão buscar apoio fora de seus eleitorados mais fiéis para ampliar competitividade durante a campanha.

Esse cenário também mantém espaço para a disputa pelos eleitores que ainda admitem mudar de voto ao longo do processo eleitoral, especialmente caso outras candidaturas consigam reduzir a rejeição e atrair esse segmento.

Nordeste segue como principal base de Lula

O levantamento também mostra que a avaliação do governo continua marcada por forte divisão regional.

O Nordeste permanece como a principal base de apoio de Lula, onde 62% aprovam a gestão e 35% desaprovam.

Na direção oposta, o Sul concentra a maior resistência ao governo federal, registrando 64% de desaprovação e 33% de aprovação.

Nas demais regiões, o cenário permanece equilibrado. No Norte e Centro-Oeste, Lula registra 45% de aprovação, contra 51% de desaprovação. Já no Sudeste44% aprovam o governo, enquanto 51% desaprovam, evidenciando um país dividido na percepção sobre a administração federal.

A pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.004 pessoas entre os dias 24 e 26 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança.

Além dos percentuais, o levantamento indica que a corrida presidencial tende a começar com dois candidatos de bases eleitorais consolidadas, mas que também carregam índices elevados de rejeição — um fator que pode influenciar a disputa pelo eleitorado ainda aberto a novas opções durante a campanha.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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