O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, nesta segunda-feira (21), depois de o nova-iorquino participar da ratificação de um comunicado internacional que cobra dos governos nacionais mais autoridade e recursos para as cidades. O documento foi aprovado no domingo (20), durante o Urban 20 (U20), realizado em Nova York.
A proximidade entre os dois compromissos acrescenta um contexto concreto ao encontro Lula Mamdani, mas não permite concluir que as reivindicações urbanas estarão na conversa. A pauta detalhada da reunião bilateral não foi divulgada nas informações consultadas. A audiência foi solicitada pelo prefeito e está prevista na residência do representante brasileiro junto à ONU, Sérgio Danese.
Encontro Lula Mamdani vem após comunicado dirigido aos governos
No texto ratificado durante o U20, líderes municipais pedem que países do G20 deem às cidades instrumentos para ampliar sua atuação diante da crise de moradia, das mudanças climáticas e da migração. Esses foram os três eixos centrais da cúpula, segundo a Prefeitura de Nova York.
Nova York e Los Angeles copresidiram a edição de 2026, convocada pela C40 Cities e pela United Cities and Local Governments (UCLG). O balanço publicado pela administração nova-iorquina em 20 de setembro registra a participação, ao longo de três dias, de 25 prefeitos, vice-prefeitos e dirigentes de 34 cidades de países do G20.
Brasil comandou o mesmo fórum dois anos antes
A passagem do U20 por Nova York tem uma conexão recente com o Brasil. Em 2024, Rio de Janeiro e São Paulo copresidiram o fórum, no ano em que o país exercia a presidência do G20. Prefeitos e representantes de mais de 60 cidades se reuniram no Rio de Janeiro para formular recomendações destinadas aos governos nacionais.
Dois anos depois, a copresidência passou a Nova York e Los Angeles. O paralelo ajuda a dimensionar o fórum que antecede a reunião desta segunda: o prefeito que agora copreside o U20 recebe o presidente do país que, em 2024, sediou a mesma articulação internacional de cidades.
Ao ratificar o documento deste ano, Mamdani afirmou que os participantes haviam discutido responsabilidades compartilhadas pelos prefeitos, formas de recuperar a confiança no governo e o papel das cidades. Ele citou experiências apresentadas pela Cidade do México e por Roma na área de habitação e por Freetown no enfrentamento aos efeitos da crise climática.
Documento do U20 não antecipa conversa com Lula
Há uma distinção importante: o comunicado dirige suas reivindicações aos governos nacionais do G20, mas isso não significa que Mamdani levará essas cobranças diretamente a Lula. Não há, nas informações públicas consultadas, confirmação de que moradia, clima, migração ou o próprio documento do U20 façam parte da bilateral.
A programação oficial divulgada antes da cúpula indica realização do U20 de 19 a 21 de setembro. No domingo (20), porém, a Prefeitura de Nova York publicou a ratificação do comunicado e descreveu aquela etapa como o encerramento da cúpula de prefeitos. Por isso, o documento e não uma afirmação sobre o fim de toda a programação é o marco temporal usado nesta reportagem.
Para Lula, a bilateral integra a agenda em Nova York na véspera do discurso brasileiro na 81ª Assembleia Geral da ONU, marcado para terça-feira (22). Nesta segunda, o presidente também tem encontros previstos com o presidente uruguaio Yamandú Orsi e com o senador americano Bernie Sanders.
A comparação com 2024 ajuda a colocar a reunião em perspectiva: o Brasil já esteve no comando da articulação urbana que agora tem Mamdani entre seus copresidentes. O que permanece incerto é se essa aproximação institucional terá consequência imediata: não há confirmação de que as demandas aprovadas no U20 entrarão na conversa com Lula.