A revista britânica The Economist criticou Lula e Flávio Bolsonaro, os dois candidatos à Presidência mais bem colocados na reta final da eleição. Além disso, apontou as ideias de Renan Santos (Missão) como as que considera mais adequadas ao atual momento do Brasil. O posicionamento consta de editorial publicado na quinta-feira (24).
A publicação avalia que Lula e Flávio não apresentam respostas convincentes para dois problemas que considera centrais: corrupção e expansão dos gastos públicos. A revista também argumenta que o Brasil continua sem transformar vantagens econômicas e naturais em crescimento sustentado. Essas conclusões representam a posição editorial da Economist.
O diferencial está na alternativa apontada pela publicação. A revista afirma que Renan Santos é o candidato cujas ideias considera mais adequadas ao momento. Também destaca sua defesa de reformas estruturais e cortes de despesas. O candidato do Missão, porém, aparecia com 3% das intenções de voto no Datafolha divulgado em 24 de setembro. Lula tinha 40% e Flávio tinha 36%. A pesquisa ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Economist faz críticas diferentes a Lula e Flávio Bolsonaro
No caso de Lula, a Economist reconhece posições do presidente em defesa da democracia e do meio ambiente. Entretanto, avalia que seu governo fez pouco para estimular o crescimento ou restringir despesas. A publicação também menciona que o presidente está próximo de completar 81 anos. Além disso, faz uma comparação com Joe Biden, que tinha a mesma idade quando abandonou a eleição americana de 2024.
A referência à idade é uma comparação feita pela revista e não permite concluir nada sobre a capacidade de Lula para exercer a Presidência.
Em relação a Flávio Bolsonaro, o editorial critica suas posições sobre mudanças climáticas e urnas eletrônicas. A revista também interpreta declarações do senador como sinais de que ele poderia não respeitar uma vitória de Lula. Essa é uma avaliação da publicação sobre as declarações do candidato. Contudo, não é um fato estabelecido sobre como Flávio agiria diante de um eventual resultado eleitoral.
Número oficial dá contexto à discussão sobre gastos
A crítica fiscal da revista pode ser contextualizada por um número oficial. O editorial afirma que 92% do Orçamento brasileiro seria obrigatório por determinações legais e constitucionais. O dado oficial disponível tem uma base mais específica: 92,4% das despesas primárias de 2026 são obrigatórias, segundo o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027.
Para 2027, o governo projeta que essa proporção caia para 91,7% das despesas primárias. O PLOA também fixa em R$ 2,576 trilhões o limite das despesas primárias para 2027, aumento de 7,7% em relação ao limite de 2026. A proposta ainda está sujeita à análise do Congresso.
Banco Master aparece na defesa das instituições
O caso Banco Master também entra no editorial, mas por um caminho diferente das críticas aos candidatos. Ao sustentar que instituições brasileiras continuam funcionando, a Economist elogia a atuação da Polícia Federal na investigação da fraude envolvendo o banco. A publicação cita ainda imprensa e Itamaraty entre as instituições que avalia positivamente.
A posição da revista cria, portanto, um contraste eleitoral: Lula e Flávio Bolsonaro concentram a disputa, enquanto o candidato cujas ideias a Economist destaca estava com 3% no Datafolha. A diferença entre avaliação editorial e intenção de voto é o ponto que permanece aberto a menos de duas semanas do primeiro turno.