Lula chama Trump de “imperador” antes da ONU, mas evita guerra tarifária

Lula participa da abertura do Debate Geral da ONU nesta terça após chamar Trump de “imperador”, mas afirma que não pretende entrar em guerra tarifária.
Lula durante entrevista em que chamou Donald Trump de “imperador” antes da Assembleia Geral da ONU
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista concedida antes de sua participação na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.(Imagem: Instagram).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta terça-feira (22) da abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, após elevar o tom contra Donald Trump, a quem voltou a chamar de “imperador”. Apesar da crítica feita na segunda-feira (21), Lula afirma que continuará priorizando a negociação com os Estados Unidos e que não pretende entrar em uma guerra tarifária.

Lula está nos Estados Unidos para a agenda da ONU. A declaração sobre Trump foi dada na véspera do Debate Geral, durante entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional. O presidente brasileiro criticou a maneira como o americano se relaciona com outros países e disse discordar do que classificou como “lei do mais forte”.

“Ele age como imperador. É um jeito de governar que eu não concordo”, afirmou Lula. Para o presidente brasileiro, o poder econômico e político dos Estados Unidos não deveria permitir que o país imponha suas regras a outras nações.

Lula e Trump mantêm negociação apesar das críticas

Quando a entrevista avançou para as tarifas americanas, Lula separou a crítica política da resposta comercial. O presidente afirmou que não pretende entrar em uma guerra tarifária e que fará os esforços possíveis para negociar uma solução com Washington.

“Eu não pretendo entrar em guerra tarifária nem com os EUA e nem com ninguém, eu quero negociar.”

A Lei da Reciprocidade Econômica permanece como instrumento disponível ao governo brasileiro. O processo para eventual aplicação do mecanismo já foi iniciado, mas Lula afirmou que não pretende efetivar uma resposta desse tipo enquanto as negociações estiverem em andamento.

Caso o diálogo fracasse, o cenário pode mudar. Lula afirmou que, se os Estados Unidos não quiserem negociar, o governo brasileiro terá de avaliar quais providências tomar e quais produtos poderiam ser alcançados pela reciprocidade. Na entrevista, Lula não anunciou produtos americanos nem novas alíquotas brasileiras.

As conversas comerciais entre os dois países já avançaram para contatos entre autoridades. Em 31 de agosto, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, reuniram-se virtualmente com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para discutir as medidas tarifárias americanas.

Assembleia da ONU amplia exposição das divergências

A participação de Lula no Debate Geral da 81ª Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira (22) coloca as divergências entre Brasil e Estados Unidos novamente sob atenção internacional. A agenda em Nova York, porém, não altera por si só o estágio das negociações comerciais.

Na entrevista de segunda-feira, Lula também relacionou a defesa da soberania às eleições brasileiras. O presidente afirmou estar preocupado com uma eventual interferência externa no pleito e citou Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, por sua proximidade com integrantes do bolsonarismo. Lula fez uma ressalva importante: naquele momento, tratava-se, segundo ele, de “só suspeita”.

O presidente brasileiro também criticou a atuação americana na Venezuela e defendeu a realização de eleições no país. Nesse trecho da entrevista, Lula voltou a apresentar a soberania dos países como fundamento de sua discordância com a política externa dos Estados Unidos.

Para a relação entre Lula e Trump, a consequência prática permanece na mesa de negociação. Lula chega à ONU após endurecer as críticas ao presidente americano, mas afirma que não quer uma guerra tarifária. Uma eventual aplicação da reciprocidade dependerá do rumo das conversas com Washington, sem produtos ou novas alíquotas anunciados por Lula até a entrevista.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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