Crise no STF faz Fachin reunir cúpula do TSE a dias da eleição

Fachin reúne Nunes Marques, André Mendonça e Toffoli, os três titulares do STF no TSE, enquanto divergências no Supremo preocupam antes da eleição.
Edson Fachin durante sessão do STF em meio à crise no Supremo e às discussões envolvendo o TSE
Edson Fachin, presidente do STF, reúne ministros que também integram o TSE em meio às divergências no Supremo às vésperas das eleições.(Imagem: Rosinei Coutinho/STF).

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, reúne nesta segunda-feira (28) Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Dias Toffoli em meio à crise no STF e à preocupação de que as divergências entre ministros repercutam no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às vésperas das Eleições 2026. O encontro é fechado. 

A escolha dos participantes dá peso institucional à conversa. Nunes Marques, Mendonça e Toffoli ocupam atualmente as três vagas titulares destinadas aos ministros do STF no TSE. Nunes preside a Corte Eleitoral, enquanto Mendonça é vice-presidente. Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino são os três substitutos provenientes do Supremo. 

Nunes Marques e André Mendonça assumiram o comando do TSE em maio para um mandato de dois anos. Na posse, Nunes apontou as eleições deste ano como primeiro desafio da gestão, ao lado do enfrentamento à desinformação e a possíveis abusos no uso de inteligência artificial. 

Crise no STF ganha componente eleitoral

A reunião ocorre um dia depois de uma nova divergência entre ministros que também exercem funções na Justiça Eleitoral. No domingo (27), Flávio Dino, do STF, determinou a restauração de uma publicação de Antonio Tabet que havia sido retirada após decisão de André Mendonça no TSE. 

Flávio Bolsonaro havia acionado a Justiça Eleitoral alegando que a postagem trazia informação inverídica, discurso de ódio e imputação de crime. A decisão liminar de Mendonça determinou a retirada da publicação e de conteúdos semelhantes, sob pena de multa diária de R$ 30 mil. 

Dino posteriormente atendeu ao pedido de Tabet para restaurar o conteúdo. Segundo a decisão relatada pela Agência Brasil, a publicação não mencionava nominalmente Flávio Bolsonaro nem familiares do candidato. Dino considerou que não havia grau de certeza de ilicitude que justificasse, naquele momento processual, as restrições impostas à liberdade de expressão. 

Três cadeiras ligam Supremo ao TSE

A proximidade institucional entre os tribunais ajuda a explicar por que a crise no STF desperta preocupação eleitoral. Pela composição do TSE, três das sete cadeiras titulares são preenchidas por ministros provenientes do Supremo. Hoje, são justamente as ocupadas pelos três participantes chamados para conversar com Fachin. 

Isso não significa, porém, que exista uma ruptura institucional entre STF e TSE. A informação publicada sobre o encontro é mais específica: Fachin foi alertado por interlocutores sobre o risco de as divergências internas repercutirem na governança da Justiça Eleitoral. 

O calendário torna essa preocupação mais sensível. A reunião acontece na semana anterior à votação e reúne Fachin com os três integrantes do Supremo que ocupam cadeiras titulares no tribunal responsável pela condução das eleições. 

Por enquanto, não há resultado confirmado da reunião. O encontro é fechado, e qualquer consequência sobre a atuação do TSE depende do que efetivamente for decidido ou comunicado pelos ministros.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

Veja também

Mais lidas