EUA e China ensaiam trégua, mas tarifa de 23% expõe limite da aproximação

Trump e Xi ampliam a distensão entre EUA e China, mas tarifa efetiva sobre produtos chineses segue em cerca de 23% e negociações continuam abertas.
Donald Trump e Xi Jinping durante encontro oficial entre Estados Unidos e China
Donald Trump e Xi Jinping durante encontro oficial em meio às negociações comerciais entre EUA e China.(Imagem: Matt Kaminsky/ZUMA Press).

A recepção de Donald Trump a Xi Jinping reforçou a distensão entre EUA e China. No entanto, a cordialidade política ainda não se converteu em normalização do comércio. Produtos chineses continuam sujeitos a uma tarifa efetiva de cerca de 23% nos Estados Unidos, segundo cálculos do Barclays citados na fonte-base.

O banco calcula em aproximadamente 7% a tarifa efetiva aplicada pelos EUA ao restante do mundo. A diferença dimensiona quanto as barreiras sobre produtos chineses continuam elevadas mesmo depois dos sinais de aproximação exibidos pelos dois governos nesta semana.

O contraste ganhou força durante os dois dias de visita de Xi. Trump afirmou que os dois “nunca se deram tão bem”. Além disso, o presidente chinês celebrou a “agenda sem precedentes” de reuniões realizadas pelos dois neste ano. O tratamento diplomático, porém, avançou mais rapidamente que a resolução das divergências comerciais.

Trégua entre EUA e China preserva negociações por mais dois meses

O resultado comercial mais concreto anunciado pelos Estados Unidos foi a extensão da trégua por dois meses, até 10 de janeiro de 2027. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que o prazo adicional abre espaço para as partes continuarem trabalhando em um acordo econômico mais amplo. 

A prorrogação mantém suspensas durante esse período determinadas altas tarifárias e medidas retaliatórias previstas na disputa. Ela não significa, porém, que as tarifas existentes tenham sido eliminadas.

A China ainda não havia confirmado oficialmente a extensão no material-base. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que novos detalhes poderiam ser divulgados na segunda-feira.

Redução de tarifas continua na mesa de negociação

Antes da cúpula, Washington e Pequim já discutiam quais produtos poderiam receber tratamento tarifário mais favorável. Bessent afirmou em 21 de setembro que as conversas envolviam bens não estratégicos que poderiam passar às tarifas de nação mais favorecida. Além disso, tratavam de possíveis cortes chineses para produtos energéticos americanos. 

Esse ponto ajuda a separar a trégua de um acordo comercial definitivo. Os dois meses adicionais preservam a negociação. Entretanto, eventuais reduções tarifárias ainda dependem dos termos que forem acertados entre os governos.

O ambiente permanece especialmente relevante para empresas que negociam entre os dois mercados. A tarifa efetiva calculada pelo Barclays continua em cerca de 23% sobre produtos chineses. Isso ocorre apesar da melhora no relacionamento político exibida durante a visita de Xi.

A negociação também convive com outras disputas ainda abertas, entre elas restrições tecnológicas americanas e o controle chinês sobre terras raras. Esses temas permaneceram presentes mesmo durante a recepção marcada por demonstrações públicas de cordialidade.

Para empresas e investidores, portanto, o próximo fato concreto será a eventual formalização de novos termos comerciais. A atual trégua termina em 10 de janeiro de 2027. Até lá, Washington e Pequim têm pouco mais de três meses para transformar a distensão política em mudanças nas condições de comércio.

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Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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