Trump lança portal do governo com inteligência artificial e respostas mudam horas depois

America.gov estreia com inteligência artificial para serviços do governo dos EUA, mas respostas mudam horas depois. Brasil já registra 182 soluções de IA.
Donald Trump em ambiente oficial do governo dos EUA; presidente lançou a America.gov, portal que usa inteligência artificial.
Presidente Donald Trump lançou a America.gov, plataforma do governo dos Estados Unidos que usa inteligência artificial para facilitar o acesso a informações e serviços federais.(Imagem: Instagram).

A nova inteligência artificial do governo dos Estados Unidos mudou o comportamento de algumas respostas políticas pouco depois de ser lançada nesta terça-feira (29) pelo presidente Donald Trump. A America.gov foi apresentada como porta única para informações e serviços federais. No entanto, testes realizados pela Associated Press mostraram que perguntas inicialmente respondidas passaram a ser recusadas momentos depois.

A mudança ocorreu no mesmo dia em que Trump apresentou a ferramenta como alternativa à navegação por milhares de páginas governamentais. A America.gov usa IA para consultar fontes oficiais e formular respostas ao cidadão, sem exigir login.

Inteligência artificial mudou respostas pouco depois da estreia

Nos testes da AP, a ferramenta respondeu inicialmente a perguntas sobre temas como a eleição presidencial de 2020 e a presença do nome de Trump nos arquivos relacionados a Jeffrey Epstein. Pouco depois, ao repetir algumas consultas, a America.gov passou a informar que não respondia a perguntas políticas.

Em outro teste, antes dessa mudança de comportamento, a plataforma afirmou que fontes federais não apontam fraude generalizada capaz de alterar o resultado da eleição de 2020. Além disso, informou que a 22ª Emenda limita a eleição de uma mesma pessoa à Presidência a duas vezes, ao ser questionada sobre uma eventual candidatura de Trump em 2028.

A alteração documentada pela AP não permite concluir quem determinou a mudança, por qual razão ela ocorreu ou se será permanente. O episódio, porém, acrescenta uma questão prática ao lançamento. Ou seja, quais critérios uma inteligência artificial oficial utilizará para decidir o que responde quando o assunto envolve o próprio governo.

America.gov quer substituir busca em milhares de sites

A proposta é reunir em uma interface informações hoje distribuídas por cerca de 29 mil sites federais. O usuário pode fazer perguntas à IA e receber respostas baseadas em fontes governamentais. A plataforma é gratuita e não exige uma conta.

A America.gov ainda não executa todas as tarefas prometidas dentro do próprio ambiente. A expectativa divulgada no lançamento é ampliar as funcionalidades até o início de 2027. Na época, o portal deverá permitir preencher formulários, fazer solicitações e concluir renovações.

Brasil já tem 182 soluções de IA no governo federal

No Brasil, não há equivalência direta entre a America.gov e o GOV.BR. A plataforma brasileira já concentra 5.179 serviços digitais, com dados de maio de 2026. Além disso, tinha 175 milhões de contas ativas no mesmo período. Até abril, 3.200 sistemas estavam integrados à Conta GOV.BR.

A inteligência artificial também já está presente no Executivo federal brasileiro. O Núcleo de Inteligência Artificial do Governo Federal registra 182 soluções de IA em operação, com dados de 2025. Enquanto isso, 144 órgãos planejavam adotar assistentes da tecnologia. O governo mantém ainda um framework específico para avaliar riscos éticos de projetos de IA.

A diferença torna o episódio americano relevante também para o Brasil. Quanto mais governos usam IA para intermediar informações públicas, maior se torna a importância de regras sobre funcionamento, riscos e critérios das respostas. No caso da America.gov, essa discussão surgiu no próprio dia da estreia. Pois perguntas políticas respondidas inicialmente passaram a ser recusadas, sem que a cobertura consultada esclarecesse quem promoveu a alteração ou se o comportamento será mantido.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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