Segundo turno 2026 concentra mais votos, mas começa bem mais apertado

Lula e Flávio Bolsonaro chegam ao segundo turno após concentrarem mais de 92% dos votos válidos, mas separados por distância menor que em 2022.
Montagem de Lula e Flávio Bolsonaro com urna eletrônica e bandeira do Brasil ao fundo, representando o segundo turno das eleições de 2026.
Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno da eleição presidencial em 25 de outubro de 2026.(Imagem: Editorial).

O segundo turno começa com uma combinação que diferencia a disputa presidencial de quatro anos atrás. Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT) concentravam juntos 92,19% dos votos válidos quando 99,97% das urnas estavam apuradas. Em 2022, Lula e Jair Bolsonaro somaram 91,63% no primeiro turno.

Apesar da concentração maior nos dois primeiros colocados, a distância entre eles diminuiu. Flávio aparecia com 47,04% dos votos válidos e Lula com 45,15%, diferença de 1,89 ponto percentual. Quatro anos antes, Lula terminou o primeiro turno com 48,43% e Jair Bolsonaro, com 43,20%, distância de 5,23 pontos.

A comparação não antecipa o comportamento dos eleitores em 25 de outubro. Ela revela uma particularidade do ponto de partida: os dois finalistas absorveram parcela ligeiramente maior dos votos válidos do que os dois primeiros colocados em 2022, mas chegaram ao segundo turno separados por uma distância bem menor.

Segundo turno deixa menos votos válidos fora dos finalistas

O espaço ocupado pelas outras candidaturas ajuda a dimensionar essa concentração. Augusto Cury (Avante) tinha 2,89% dos votos válidos, Renan Santos (Missão), 2,25%. Os demais candidatos completavam a parcela inferior a 8% que não estava com Lula ou Flávio naquela fotografia da apuração.

Há um limite importante nessa conta: esses votos não formam um bloco automaticamente transferido para qualquer um dos finalistas. A própria Justiça Eleitoral considera cada turno um pleito independente para efeito de comparecimento. Quem não votou no primeiro turno também pode participar normalmente da votação seguinte.

Isso significa que olhar apenas para os candidatos eliminados deixa de fora outra parte relevante do eleitorado.

Mais de um em cada cinco eleitores não compareceu

A abstenção chegou a 21,08% dos eleitores inscritos, enquanto o comparecimento foi de 78,92%. Essa porcentagem utiliza uma base diferente da votação dos candidatos, calculada sobre votos válidos, e por isso os números não devem ser comparados diretamente.

A curiosidade está em outra dimensão: mais de um quinto do eleitorado não participou da escolha presidencial no primeiro turno. Em 2022, a abstenção havia sido de 20,95% dos 156,45 milhões de eleitores aptos.

Brancos e nulos também ficam fora da conta dos votos válidos. Na apuração utilizada nesta análise, eles representavam 1,84% e 2,93%, respectivamente. Esses votos não são atribuídos a nenhum candidato.

A distinção impede uma leitura enganosa do segundo turno como uma simples disputa pela pequena parcela que escolheu Cury, Renan e os demais concorrentes eliminados.

Distância entre os finalistas caiu mais de três pontos desde 2022

Há uma segunda diferença relevante em relação à eleição passada. Lula entrou no segundo turno de 2022 depois de abrir 5,23 pontos percentuais sobre Jair Bolsonaro no primeiro. Na fotografia de 99,97% da apuração de 2026, Flávio estava 1,89 ponto à frente de Lula.

São eleições distintas, e esses números não indicam o resultado da nova votação. A comparação serve para dimensionar a largada: a distância registrada entre primeiro e segundo colocados ficou menor, embora os dois tenham concentrado uma parcela maior dos votos válidos.

O segundo turno será realizado em 25 de outubro. Até lá, a disputa não envolve somente quem escolheu candidatos eliminados: quem se absteve no primeiro turno pode votar no segundo, enquanto quem compareceu também pode repetir ou alterar sua escolha, votar branco ou nulo ou deixar de comparecer. O primeiro turno definiu os dois finalistas, mas cada turno constitui uma nova votação.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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