O apoio de Zema a Flávio Bolsonaro (PL) ganhou o respaldo oficial do Novo nesta quarta-feira (7), dois dias depois da manifestação individual do ex-governador. A adesão ocorre após Romeu Zema terminar o primeiro turno com 0,82% dos votos válidos em Minas Gerais, estado que governou por mais de sete anos.
Zema recebeu 98.407 votos entre os mineiros e terminou a disputa presidencial sem vencer em nenhum município do estado, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) citados pelo UOL. O resultado dá uma dimensão concreta do alcance de sua candidatura justamente em seu principal território político.
Apoio de Zema vem após resultado abaixo de 1% em Minas
A direção do Novo oficializou a escolha por Flávio após uma reunião no comitê de campanha do PL, em Brasília. O presidente da legenda, Eduardo Ribeiro, afirmou que o partido pretende derrotar o PT e também relacionou sua atuação futura à composição do Senado e ao enfrentamento político com o Supremo Tribunal Federal (STF).
O desempenho eleitoral de Zema, porém, impõe um limite à leitura sobre o impacto imediato da adesão. Os 98.407 votos recebidos por ele em Minas não podem ser automaticamente transferidos para Flávio, porque a declaração de apoio de um candidato derrotado não determina a escolha de seus eleitores no segundo turno.
No país, Zema terminou a eleição presidencial com 326.488 votos, equivalentes a 0,27% dos votos válidos. O dado nacional amplia a dimensão do resultado, mas é a votação mineira que estabelece o contraste mais direto com sua trajetória política.
Zema governou Minas por mais de sete anos
Zema assumiu o governo de Minas Gerais em janeiro de 2019, foi reeleito em 2022 e deixou o cargo em 2026 para disputar a Presidência. Por isso, o resultado inferior a 1% em Minas oferece uma referência diferente da votação nacional: compara a candidatura presidencial com o eleitorado do estado onde construiu sua principal experiência no Executivo.
A comparação não significa que sua aprovação como governador fosse equivalente à intenção de voto para presidente. São medidas diferentes. Ela permite apenas dimensionar o desempenho obtido por Zema na eleição presidencial dentro de sua antiga base estadual.
Novo transforma adesão individual em apoio partidário
Romeu Zema já havia anunciado na segunda-feira (5) que apoiaria Flávio no segundo turno. A reunião desta quarta ampliou essa posição para a direção nacional do Novo. Deltan Dallagnol e Marcel Van Hattem participaram do encontro ao lado de integrantes da legenda.
Flávio agradeceu a adesão e afirmou que os apoios representam unidade em torno de uma mudança de governo. Lula (PT), adversário do candidato do PL, disputa o segundo turno marcado para 25 de outubro.
Para a campanha de Flávio, o apoio de Zema acrescenta uma adesão política formal, mas seu efeito nas urnas não pode ser medido antecipadamente. Em Minas, onde o ex-governador recebeu 0,82% no primeiro turno, a capacidade de a declaração influenciar eleitores só poderá ser conhecida no segundo turno.