Apoio de Zema a Flávio vem após Zema ter só 0,82% dos votos em seu estado

Novo oficializa apoio de Zema a Flávio Bolsonaro após ex-governador receber 0,82% dos votos em Minas, estado que comandou por mais de sete anos.
Romeu Zema exibe comprovante durante votação nas eleições de 2026
Romeu Zema, candidato do Novo no primeiro turno, declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial de 2026.(Imagem: Instagram).

O apoio de Zema a Flávio Bolsonaro (PL) ganhou o respaldo oficial do Novo nesta quarta-feira (7), dois dias depois da manifestação individual do ex-governador. A adesão ocorre após Romeu Zema terminar o primeiro turno com 0,82% dos votos válidos em Minas Gerais, estado que governou por mais de sete anos.

Zema recebeu 98.407 votos entre os mineiros e terminou a disputa presidencial sem vencer em nenhum município do estado, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) citados pelo UOL. O resultado dá uma dimensão concreta do alcance de sua candidatura justamente em seu principal território político.

Apoio de Zema vem após resultado abaixo de 1% em Minas

A direção do Novo oficializou a escolha por Flávio após uma reunião no comitê de campanha do PL, em Brasília. O presidente da legenda, Eduardo Ribeiro, afirmou que o partido pretende derrotar o PT e também relacionou sua atuação futura à composição do Senado e ao enfrentamento político com o Supremo Tribunal Federal (STF).

O desempenho eleitoral de Zema, porém, impõe um limite à leitura sobre o impacto imediato da adesão. Os 98.407 votos recebidos por ele em Minas não podem ser automaticamente transferidos para Flávio, porque a declaração de apoio de um candidato derrotado não determina a escolha de seus eleitores no segundo turno.

No país, Zema terminou a eleição presidencial com 326.488 votos, equivalentes a 0,27% dos votos válidos. O dado nacional amplia a dimensão do resultado, mas é a votação mineira que estabelece o contraste mais direto com sua trajetória política.

Zema governou Minas por mais de sete anos

Zema assumiu o governo de Minas Gerais em janeiro de 2019, foi reeleito em 2022 e deixou o cargo em 2026 para disputar a Presidência. Por isso, o resultado inferior a 1% em Minas oferece uma referência diferente da votação nacional: compara a candidatura presidencial com o eleitorado do estado onde construiu sua principal experiência no Executivo.

A comparação não significa que sua aprovação como governador fosse equivalente à intenção de voto para presidente. São medidas diferentes. Ela permite apenas dimensionar o desempenho obtido por Zema na eleição presidencial dentro de sua antiga base estadual.

Novo transforma adesão individual em apoio partidário

Romeu Zema já havia anunciado na segunda-feira (5) que apoiaria Flávio no segundo turno. A reunião desta quarta ampliou essa posição para a direção nacional do Novo. Deltan Dallagnol e Marcel Van Hattem participaram do encontro ao lado de integrantes da legenda.

Flávio agradeceu a adesão e afirmou que os apoios representam unidade em torno de uma mudança de governo. Lula (PT), adversário do candidato do PL, disputa o segundo turno marcado para 25 de outubro.

Para a campanha de Flávio, o apoio de Zema acrescenta uma adesão política formal, mas seu efeito nas urnas não pode ser medido antecipadamente. Em Minas, onde o ex-governador recebeu 0,82% no primeiro turno, a capacidade de a declaração influenciar eleitores só poderá ser conhecida no segundo turno.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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