PF amplia cerco ao Banco Master e mira fundo de aposentadoria de servidores em Pernambuco

A PF Banco Master ganhou uma nova frente nesta quarta-feira (10). A investigação alcançou o fundo previdenciário dos servidores de Paulista (PE), onde mais de R$ 3 milhões teriam sido aplicados em produtos financeiros ligados ao banco. A operação amplia o foco sobre a gestão de recursos públicos destinados a aposentadorias e aumenta a pressão sobre gestores responsáveis pelas decisões de investimento.
Sede do Banco Master durante investigação da Polícia Federal sobre aplicações de recursos de fundo previdenciário municipal em Pernambuco.
Operação da Polícia Federal apura aplicação de mais de R$ 3 milhões do fundo previdenciário de servidores de Paulista (PE) em produtos financeiros ligados ao Banco Master.(Imagem:Banco Master).

PF Banco Master ganhou uma nova frente nesta quarta-feira (10), com a deflagração de uma operação que investiga aplicações realizadas pelo fundo previdenciário dos servidores municipais de Paulista, no litoral de Pernambuco. A apuração mira investimentos ligados ao antigo Banco Master. Além disso, investiga suspeitas de irregularidades na gestão de recursos destinados ao pagamento futuro de aposentadorias e pensões.

Segundo a Polícia Federal, mais de R$ 3 milhões teriam sido direcionados para aplicações que os investigadores suspeitam terem sido realizadas em desacordo com normas e procedimentos exigidos para a administração de recursos previdenciários.

O avanço da operação indica que a PF passou a concentrar parte das apurações na relação entre instituições financeiras e fundos públicos de previdência. Essa frente é considerada estratégica porque envolve recursos vinculados ao pagamento de benefícios futuros de servidores municipais.

O valor investigado é relativamente pequeno diante de grandes escândalos financeiros. No entanto, o foco da PF está na origem dos recursos. Como o dinheiro pertence ao fundo previdenciário municipal, as decisões de investimento estão sujeitas a regras específicas de governança, segurança e controle, o que amplia a relevância institucional do caso.

Operação da PF contra o Banco Master mira aplicações previdenciárias

A investigação apura a compra de Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. De acordo com os investigadores, houve promessa de rentabilidade de 7% ao ano mais correção pelo IPCA, índice oficial da inflação.

As apurações apontam ainda que a adesão aos investimentos teria sido imposta pela presidência do sistema previdenciário municipal. Essa circunstância passou a integrar a linha de investigação conduzida pela Polícia Federal.

Nesta fase da operação, a Justiça Federal autorizou o cumprimento de dez mandados de busca e apreensão em Pernambuco e no Rio de Janeiro. Os alvos estão localizados em Paulista, Recife e na capital fluminense, incluindo estruturas ligadas à gestão do fundo previdenciário municipal.

Investigação do Banco Master avança para decisões de gestores públicos

Segundo a Polícia Federal, a operação busca esclarecer se houve prática de gestão temerária ou fraudulenta na condução dos recursos. Além disso, irá apurar possíveis crimes contra a administração pública, infrações ao sistema financeiro nacional e eventual recebimento de vantagens indevidas por gestores envolvidos nas decisões.

A nova fase indica uma mudança importante no foco das apurações. Além de examinar os produtos financeiros oferecidos pelo Banco Mastera PF busca entender como gestores públicos chegaram à decisão de direcionar recursos previdenciários para essas aplicações. Isso amplia o alcance institucional da investigação.

O movimento tem potencial de aumentar a responsabilização de agentes que participaram da cadeia de decisão sobre investimentos realizados com recursos públicos. Isso ocorre especialmente quando esses investimentos estão vinculados a regimes próprios de previdência.

Operação amplia pressão sobre gestores de fundos públicos

A investigação coloca sob análise não apenas a legalidade das aplicações, mas também os mecanismos de controle adotados pelos responsáveis pela administração dos recursos previdenciários. O caso reforça a atenção das autoridades sobre decisões envolvendo patrimônio destinado ao custeio de aposentadorias e pensões.

Embora a atual gestão municipal afirme que os fatos investigados ocorreram na administração anterior, a operação recoloca sob escrutínio os sistemas de governança utilizados por fundos públicos de previdência. Além disso, amplia a pressão por transparência na gestão desses recursos.

Procurada, a Prefeitura de Paulista informou que está disponibilizando documentos e informações solicitados pela Polícia Federal. Em nota, afirmou que os fatos investigados se referem à gestão anterior. Declarou também que permanece à disposição das autoridades para colaborar com os esclarecimentos necessários. Segundo o município, o PREVIPAULISTA continuará prestando informações aos órgãos competentes e acompanhando o andamento das apurações pelos canais institucionais.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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