Jair Bolsonaro sabia previamente que Michelle Bolsonaro gravaria os vídeos com críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas optou por não impedir a publicação nem interferir na disputa familiar, segundo pessoas próximas à ex-primeira-dama. A decisão, de acordo com esses relatos, buscou evitar que o ex-presidente tivesse de escolher entre a esposa e os filhos, em uma crise que passou dos bastidores para o debate público.
Segundo aliados de Michelle, Bolsonaro preferiu manter distância do conflito, adotando uma postura de neutralidade diante das divergências familiares. O episódio ganhou repercussão após a divulgação, em 24 de junho, dos vídeos em que a ex-primeira-dama faz críticas a Flávio Bolsonaro.
As mesmas fontes também negam que a publicação tenha provocado uma discussão entre o casal. Conforme relatos atribuídos ao entorno de Michelle, não houve briga entre ela e Jair Bolsonaro após a divulgação do material. Esse grupo afirma que o acesso à residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar é restrito à própria Michelle, às filhas Letícia e Laura, além de empregados e seguranças, o que, segundo os aliados, torna improvável a circulação de informações sobre um suposto desentendimento.
Bastidores da gravação
Pessoas próximas à ex-primeira-dama afirmam que o vídeo foi gravado na tarde de 22 de junho, na antiga sala utilizada por Michelle no PL Mulher. O conteúdo permaneceu em edição durante parte dos dois dias seguintes, principalmente para receber recursos de tradução em Libras.
Ainda de acordo com esse grupo, os objetos que aparecem sobre a mesa durante a gravação já faziam parte do ambiente e não foram posicionados para transmitir mensagens indiretas relacionadas à crise com Flávio Bolsonaro.
Uma versão apresentada por fontes ouvidas pela CNN acrescenta que Jair Bolsonaro sabia que Michelle faria uma gravação, mas não conhecia o conteúdo das críticas dirigidas ao filho. Segundo esses relatos, o ex-presidente demonstrou insatisfação com os ataques a Flávio, embora avalie que o episódio possa ser superado antes do início da campanha eleitoral.
Crise também repercute nos planos eleitorais do PL
A repercussão do episódio ocorre em um momento considerado estratégico para o Partido Liberal (PL). O presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, pretende voltar a se reunir com Michelle Bolsonaro nas próximas semanas para tentar convencê-la a disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal.
Segundo pessoas ligadas ao partido, Michelle manifestou dúvidas sobre participar da eleição e chegou a mencionar a possibilidade de deixar o PL. Ainda assim, dirigentes da legenda avaliam que ela permanece como um dos nomes mais competitivos nas pesquisas de intenção de voto realizadas para o Distrito Federal, razão pela qual a direção nacional considera sua candidatura importante para fortalecer também as chapas proporcionais à Câmara dos Deputados.
Aliados da ex-primeira-dama afirmam que a candidatura ao Senado continua sendo um desejo de Jair Bolsonaro. Michelle, porém, ainda não anunciou uma decisão definitiva. Conforme seu entorno, ela demonstra resistência em entrar na disputa eleitoral por desejar dedicar mais tempo aos cuidados do ex-presidente e da filha caçula, de 15 anos.
Até o momento, Michelle Bolsonaro não confirmou se disputará o Senado em 2026. O PL segue tentando construir um entendimento para manter seu principal nome feminino na eleição do Distrito Federal, enquanto a repercussão dos vídeos e os desdobramentos da crise familiar continuam influenciando o ambiente político da legenda.