A derrota da Seleção Brasileira por 2 a 1 para a Noruega, que encerrou a campanha da equipe na Copa do Mundo no domingo (5), rapidamente ultrapassou o noticiário esportivo. Em poucas horas, o resultado passou a ser usado por políticos de diferentes espectros ideológicos, que transformaram a eliminação em tema de disputa nas redes sociais por meio de críticas, provocações e manifestações direcionadas a adversários.
Entre os parlamentares que mais repercutiram o jogo estiveram Nikolas Ferreira (PL-MG) e André Janones (Rede-MG), que adotaram posições opostas sobre Neymar. O deputado bolsonarista saiu em defesa do atacante e afirmou que o jogador “chamou a responsa para si” ao cobrar um pênalti nos minutos finais da partida. Na mesma publicação, Nikolas relembrou uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que anteriormente chamou Neymar de “jogador home office”.
Janones, por sua vez, direcionou as críticas ao camisa da Seleção. O deputado classificou Neymar como “lixo humano” e “verme”, afirmando que o atleta utiliza sua influência para divulgar casas de apostas e obter ganhos financeiros com esse tipo de publicidade.
Parlamentares associaram o resultado ao cenário político
A derrota também foi usada por outros políticos para reforçar posicionamentos sobre o momento político do país.
O deputado estadual Bruno Engler (PL-MG) publicou uma imagem da conquista da Copa América de 2019, quando o então presidente Jair Bolsonaro participou da comemoração com os jogadores. Na legenda, escreveu que sentia saudades de quando “o Brasil tinha um Presidente e uma Seleção que prestavam”.
O deputado federal Domingos Sávio (PL-MG) lamentou a eliminação, mas afirmou que, encerrada a participação brasileira no torneio, o foco passa a ser o processo eleitoral.
Pela esquerda, o vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff (PT) compartilhou uma imagem com a frase “já que o hexa não rolou… que venha o tetra”, em referência a um possível quarto mandato do presidente Lula.
Já a deputada federal Duda Salabert (Psol-MG) afirmou que, desde que a camisa da Seleção passou a ser identificada com apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, o Brasil deixou de acumular resultados positivos no futebol, relacionando o desempenho esportivo ao ambiente político.
Flávio e Eduardo Bolsonaro fizeram associações com o governo Lula
As reações também mobilizaram lideranças nacionais do PL. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou que, desde que o Partido dos Trabalhadores voltou ao poder, o Brasil não conquistou mais títulos mundiais no futebol. Na mesma mensagem, afirmou que perdeu a Copa, mas que pretende “ganhar o Brasil” nas eleições de outubro.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) fez publicação semelhante em seu perfil no Instagram. Além de relacionar a derrota ao governo Lula, mencionou uma suposta “zica do 13”, em referência ao número eleitoral do PT, e citou o pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães durante a partida.
Enquanto parte dos parlamentares utilizou o resultado para reforçar discursos políticos, outras lideranças optaram por não comentar a eliminação após o apito final. O pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) não publicou mensagens sobre o jogo, embora tenha respondido à postagem de Nikolas Ferreira com a frase “Sem palavras. Falou tudo”. Já o governador Mateus Simões (PSD) e os deputados federais Rogério Correia (PT) e Reginaldo Lopes (PT)fizeram apenas manifestações de apoio à Seleção antes da partida, sem novas publicações após a derrota.