Trump diz que negocia com o Irã; resposta de Teerã coloca trégua em dúvida

Trump afirma que negocia com o Irã, mas Teerã nega qualquer diálogo direto. A divergência mantém a incerteza sobre o futuro da guerra e seus possíveis impactos na economia global.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante declaração sobre as negociações com o Irã e a suspensão temporária dos ataques militares.
Donald Trump afirmou que os Estados Unidos mantêm negociações com o Irã, mas voltou a ameaçar retomar os ataques caso a diplomacia não avance.(Imagem:GETTY IMAGES).

A guerra entre Estados Unidos e Irã entrou em uma nova fase nesta segunda-feira (27), marcada não por novos bombardeios, mas por uma disputa de versões sobre a existência de negociações. Enquanto o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que Washington mantém conversas “muito profundas” com Teerã, o governo iraniano nega que exista qualquer negociação direta para encerrar o conflito iniciado há quase cinco meses.

Em entrevista ao site norte-americano Axios, Trump disse que decidiu suspender os ataques para dar uma nova oportunidade à diplomacia, mas deixou claro que a pausa pode ser breve. Segundo ele, os Estados Unidos voltarão a uma ação militar “muito forte” caso as conversas não avancem rapidamente.

“Estamos em negociações muito profundas com o Irã. Se não funcionarem, voltaremos a uma ação militar muito forte.”

Questionado sobre quanto tempo pretende esperar, Trump respondeu que “não muito”. “Ou acontece rápido, ou não acontece”, afirmou.

Irã contradiz Trump e diz que não negocia com Washington

Pouco antes da entrevista, o governo iraniano afirmou que não há negociações em andamento com os Estados Unidos. Segundo Teerã, as tratativas atuais ocorrem apenas com Omã e tratam da administração do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo, e não de um acordo para encerrar a guerra.

Mais tarde, Trump voltou a conversar com jornalistas e adotou um tom mais otimista. O presidente afirmou que há “boas chances” de progresso e disse que os EUA estão mantendo boas conversas com o Irã. Apesar disso, as declarações continuam incompatíveis com a posição oficial divulgada pelo governo iraniano.

Por que essa divergência importa também para o Brasil?

Embora o conflito ocorra no Oriente Médioo desfecho das negociações pode ter reflexos na economia brasileira. O principal motivo é o Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.

Caso os ataques sejam retomados e a região volte a sofrer interrupções, especialistas apontam que o preço internacional do petróleo pode voltar a subir. Isso tende a aumentar a pressão sobre os custos de combustíveis, transporte e fretes internacionais, afetando também empresas e consumidores brasileiros, ainda que os impactos dependam da duração e da intensidade de uma eventual escalada.

Pausa nos ataques ainda não significa fim da guerra

No fim de semana, Estados Unidos e Irã interromperam temporariamente os ataques que vinham realizando nas últimas semanas. Segundo a imprensa norte-americana, a decisão de suspender os bombardeios partiu de Trump na sexta-feira.

Jornais dos EUA também publicaram que a pausa teria sido influenciada pela redução dos estoques de mísseis Patriotnas bases norte-americanas no Oriente Médio, sistemas utilizados para interceptar ataques iranianos. A informação, porém, foi negada pelo embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, que afirmou que a interrupção ocorreu para abrir espaço às negociações diplomáticas.

O que pode acontecer agora

Sem um cessar-fogo formal e diante das versões conflitantes sobre a existência de negociações, o futuro do conflito permanece indefinido. Se houver avanço nas conversas, a pausa nos ataques poderá evoluir para uma solução diplomática. Caso contrário, Trump já sinalizou que os Estados Unidos podem retomar rapidamente as operações militares.

Para o Brasil, o principal ponto de atenção continuará sendo o impacto que uma nova escalada poderá provocar sobre o mercado internacional de energia, os custos logísticos e o comércio global, fatores que costumam repercutir na economia doméstica mesmo sem participação direta do país no conflito.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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