Fiscalização do Banco Master leva PF da cúpula do BC ao diretor da área

Gabriel Galípolo confirma depoimento enquanto a PF prepara oitivas de Roberto Campos Neto e do diretor de Fiscalização no inquérito sobre o Banco Master.
Fachada do Banco Master na cidade de São Paulo, com grades de proteção em frente ao edifício
Fachada do Banco Master na cidade de São Paulo.(Imagem: Werther Santana/Estadão Conteúdo).

A fiscalização do Banco Master levará à Polícia Federal o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, seu antecessor, Roberto Campos Neto, e o diretor de Fiscalização da autoridade monetária, Ailton de Aquino. Os três serão ouvidos como testemunhas, condição que não representa acusação de irregularidade contra eles. 

Galípolo confirmou nesta quinta-feira (24) que recebeu a intimação. Questionado durante a coletiva sobre o Relatório de Política Monetária do terceiro trimestre, afirmou não se recordar da data exata marcada pela PF, mas disse que o depoimento pode ocorrer no início de outubro. 

A composição das oitivas dá uma dimensão do caminho escolhido pelos investigadores para colher informações sobre o caso. Além do atual e do ex-presidente do BC, Aquino será chamado novamente. A PF também intimou André Esteves, do BTG Pactual, para prestar depoimento como testemunha.

Fiscalização do Banco Master leva PF a três nomes do BC

O inquérito tem objeto mais específico do que a lista de nomes poderia sugerir. Segundo a Folha de S.Paulo, a investigação apura suposto favorecimento de Daniel Vorcaro por dois ex-servidores do Banco Central, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, que teriam fornecido informações confidenciais ao então controlador do Master. 

É nesse contexto que os depoimentos de Galípolo, Campos Neto e Aquino serão colhidos. A presença dos três permite à PF buscar informações em diferentes posições da estrutura do Banco Central, sem que isso altere a condição processual dos intimados: eles serão ouvidos como testemunhas. 

Aquino ocupa justamente a Diretoria de Fiscalização e deverá prestar um novo depoimento. A reportagem da Folha informa que ele já relatou aos investigadores questões relacionadas ao Master e à atuação interna do Banco Central. 

André Esteves também será ouvido como testemunha

A participação de André Esteves acrescenta ao conjunto das oitivas um personagem de fora do Banco Central. Segundo a apuração publicada pela Folha, um relato prestado à PF afirma que o BTG identificou problemas no Master durante uma due diligence e que informações foram transmitidas verbalmente a Campos Neto. A reportagem registra que documentos não foram apresentados naquela reunião. 

Esteves também será ouvido como testemunha. Portanto, sua intimação não permite atribuir ao banqueiro participação nas irregularidades investigadas.

A confirmação feita por Galípolo nesta quinta-feira acrescenta agora um prazo à fiscalização do Banco Master sob investigação: o presidente do BC estima que comparecerá à PF no início de outubro. A data exata da oitiva, segundo ele, não estava em sua memória durante a coletiva.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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