Eduardo Maurício assumiu a defesa de Carla Zambelli na quinta-feira (17), mas já discutia publicamente aspectos da extradição da ex-deputada três meses antes da contratação. Em junho, o advogado publicou uma análise na qual abordou imparcialidade e garantias processuais relacionadas ao caso. Agora, ele integra a equipe que pretende contestar um segundo pedido brasileiro à Itália.
Maurício passou a trabalhar ao lado do advogado italiano Pieremilio Sammarco. A estratégia anunciada inclui medidas para tentar reverter duas condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), além da atuação no novo procedimento de extradição de Zambelli.
Extradição de Zambelli já era analisada pelo advogado em junho
O antecedente está documentado em artigo assinado por Maurício em 12 de junho de 2026, quando ele ainda não havia sido anunciado como advogado de Zambelli. O texto analisava a decisão da Corte de Cassação italiana sobre a extradição da ex-deputada e seus reflexos sobre a cooperação jurídica internacional.
Na publicação, Maurício abordou a chamada “imparcialidade objetiva” e a participação do ministro Alexandre de Moraes em diferentes etapas daquele processo. O próprio advogado também registrou um limite para o alcance da decisão italiana: ela “não representa absolvição nem revisão do mérito das condenações”.
A distinção é importante porque a atuação anunciada agora envolve outro procedimento. Segundo a nova defesa, o segundo pedido de extradição será contestado, e a estratégia inclui questionamentos à imparcialidade dos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Essa é uma alegação dos advogados e depende de apreciação judicial.
Maurício também afirma que pretende recorrer às medidas processuais disponíveis contra as duas condenações.
“Assumi a defesa de Carla Zambelli […] e empregaremos todos os recursos legais disponíveis para anular as duas condenações”, declarou o advogado ao SBT News.
Duas condenações abrem frentes diferentes para a defesa
No processo envolvendo a invasão dos sistemas e a adulteração de documentos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Zambelli recebeu pena de 10 anos de prisão, em regime inicial fechado. O STF declarou o trânsito em julgado dessa condenação em junho de 2025, após rejeitar recursos apresentados contra a decisão.
A outra condenação é de 5 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O processo decorre do episódio de 2022 em que Zambelli perseguiu Luan Araújo, em São Paulo, portando uma arma.
A defesa classifica as condenações como resultado de “perseguição política” e sustenta que garantias processuais foram desrespeitadas. As afirmações representam a versão dos advogados e não modificam as decisões judiciais existentes.
A partir de agora, a questão deixa de ser apenas a posição pública que Maurício mantinha sobre aspectos do caso. A defesa terá de transformar seus questionamentos em medidas processuais capazes de produzir efeito no segundo pedido de extradição de Zambelli e nas tentativas de revisão das condenações. Até que essas medidas sejam analisadas, as alegações apresentadas pelos advogados não alteram as decisões existentes.