China e EUA avançam em acordo de US$ 30 bilhões, mas tarifas ainda não mudam

China e Estados Unidos chegaram a um consenso para recomendar tarifas mais favoráveis sobre US$ 30 bilhões em produtos não sensíveis de cada lado. As novas alíquotas e a data de vigência ainda não foram divulgadas, enquanto negociações sobre terras raras continuam.
Donald Trump e Xi Jinping apertam as mãos durante encontro entre Estados Unidos e China.
Donald Trump e Xi Jinping durante encontro entre Estados Unidos e China, em meio às negociações comerciais entre os dois países.(Imagem: Win McNamee/Getty Images).

China e Estados Unidos avançaram em um acordo comercial envolvendo US$ 30 bilhões em produtos de cada país após a visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington. O entendimento prevê recomendar tarifas mais favoráveis para determinados bens, mas não significa que as novas alíquotas já estejam valendo.

O ponto é importante porque o anúncio feito após o encontro entre Xi e o presidente americano, Donald Trump, representa um avanço nas negociações, mas mantém parte da disputa comercial sem solução. A Casa Branca não informou quais serão as novas tarifas nem quando elas poderão entrar em vigor.

Acordo China EUA inclui brinquedos, alimentos e equipamentos médicos

O entendimento alcança produtos considerados “não sensíveis” pelos dois governos. Do lado das exportações dos Estados Unidos para a China, aparecem produtos agrícolas, pescados e frutos do mar, madeira, cosméticos e dispositivos médicos.

Na direção contrária, entre os produtos chineses importados pelos Estados Unidos, estão pequenos eletrodomésticos, brinquedos, artigos de decoração para festas e cadeirinhas infantis para automóveis.

Segundo a Casa Branca, o consenso prevê tratamento tarifário mais favorável para US$ 30 bilhões em mercadorias em cada direção. Portanto, o valor não representa todo o comércio entre China e Estados Unidos nem significa a retirada generalizada das tarifas existentes.

Há pouco mais de uma semana, esse pacote ainda estava em negociação. Em 17 de setembro, o Ministério do Comércio chinês afirmou que as equipes econômicas dos dois países permaneciam em contato sobre a proposta e que eventuais avanços seriam divulgados posteriormente.

Terras raras continuam sem solução definitiva

Nem todas as disputas econômicas foram resolvidas durante a visita de Xi. Estados Unidos e China continuam negociando as restrições relacionadas a terras raras e outros minerais críticos, segundo a Casa Branca.

Esses materiais são utilizados em diferentes setores industriais e tecnológicos. O governo americano afirmou que as negociações buscam normalizar os níveis de embarques, mas não anunciou um acordo definitivo para essa frente.

Os dois países também colocaram em funcionamento um Conselho de Investimentos destinado a discutir oportunidades e obstáculos aos investimentos bilaterais.

China e EUA abrem nova frente sobre inteligência artificial

O encontro também avançou para outra área de disputa entre as duas potências. Washington e Pequim concordaram em manter um diálogo entre governos sobre inteligência artificial e incidentes relacionados à tecnologia.

A próxima rodada de conversas está prevista para novembro. Segundo os comunicados divulgados após a visita, os países também pretendem manter um canal de comunicação para tratar de possíveis incidentes envolvendo IA.

O avanço comercial anunciado após a reunião entre Trump e Xi, portanto, tem limites claros. Há consenso sobre condições tarifárias mais favoráveis para US$ 30 bilhões em produtos de cada lado, mas as novas alíquotas e a data em que poderão começar a valer ainda não foram divulgadas. Enquanto isso, temas como terras raras continuam em negociação.

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Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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