Os Emirados Árabes Unidos defenderam neste sábado (26), durante a Assembleia Geral da ONU, a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e em outras importantes rotas marítimas internacionais. Este pedido ocorre meses depois de restrições na região levarem o Brasil a garantir uma alternativa logística para exportações agropecuárias.
A declaração foi feita por Abdullah bin Zayed Al Nahyan, vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos. Além de Ormuz, ele citou o Estreito de Bab el-Mandeb, o Mar Vermelho e o Golfo de Áden.
“Podemos rejeitar o uso por qualquer parte dessas vias navegáveis vitais como uma ameaça ou pressão coercitiva para prejudicar os interesses de nossos Estados, de acordo com o direito internacional e as resoluções relevantes da ONU”, afirmou.
Abdullah também defendeu que a situação no Estreito de Ormuz retorne às condições anteriores ao século 20, sem imposição de taxas ou restrições à navegação.
Por que o Estreito de Ormuz é tão importante
Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e concentra uma parcela relevante do transporte internacional de petróleo. Cerca de 34% do comércio mundial de petróleo bruto passou pelo estreito em 2025. Esse número veio de dado da Agência Internacional de Energia (IEA) reproduzido pelo Banco Central do Brasil em junho de 2026.
A dimensão ajuda a explicar por que problemas na passagem ultrapassam as fronteiras dos países da região. No primeiro bimestre de 2026, o petróleo Brent estava abaixo de US$ 70 por barril. Entre março e maio, a média ficou acima de US$ 100 por barril, segundo o BC.
Por que Ormuz chegou ao radar do Brasil
A conexão brasileira vai além do petróleo. O Banco Central identifica petróleo e derivados, exportações ao Oriente Médio e fertilizantes como três canais pelos quais o conflito na região pode afetar a balança comercial brasileira.
Há ainda uma particularidade: o Brasil registra superávit no comércio de petróleo e derivados desde 2018, impulsionado pelas exportações de petróleo bruto. No entanto, o país continua importando determinados produtos, principalmente diesel.
A relação com Ormuz ganhou um efeito concreto no agronegócio. Em março, o Ministério da Agricultura concluiu uma negociação com a Turquia para garantir a continuidade de uma rota alternativa às exportações agropecuárias brasileiras diante das restrições no estreito.
O certificado sanitário negociado entre os dois países permite o trânsito e o armazenamento temporário de determinadas cargas brasileiras na Turquia. A solução criou uma alternativa para mercadorias destinadas a mercados da região sem a necessidade de entrada no Golfo Pérsico.
Brasil também colocou o diesel sob acompanhamento
As restrições em Ormuz também levaram o governo brasileiro a ampliar o acompanhamento dos combustíveis. Em março, o Ministério de Minas e Energia formalizou uma Sala de Situação para monitorar e mitigar impactos sobre o abastecimento nacional.
O trabalho incluiu contratos e entregas de produtos importados, produção nacional e previsões para o suprimento de óleo diesel.
A nova defesa da liberdade de navegação feita pelos Emirados recoloca na ONU uma passagem que concentra parte relevante do comércio mundial de petróleo. Para o Brasil, eventuais novos efeitos sobre preços, abastecimento ou comércio dependeriam da extensão e da duração de futuras restrições em Ormuz. Portanto, esses efeitos não podem ser antecipados a partir do discurso deste sábado.