O celular de José Múcio, ministro da Defesa, teve o número clonado por criminosos nesta sexta-feira (18). Os golpistas passaram a se apresentar como o ministro para seus contatos e pediam R$ 5 por convidado para um suposto evento beneficente associado ao Criança Esperança. A assessoria de Múcio confirmou a fraude.
A abordagem contrasta com a forma oficial de arrecadação do Criança Esperança. A campanha mantém uma plataforma própria de doações, identificada pela UNESCO, na qual são oferecidas opções como Pix, cartão de crédito, boleto e PayPal. O contraste permite verificar uma solicitação recebida em nome da campanha sem depender do contato que enviou a mensagem.
Celular de José Múcio foi usado para levar contatos a outra pessoa
Depois de anunciar o falso evento, os criminosos direcionavam os destinatários a uma pessoa identificada nas mensagens como “Pedro Reis”, apresentada por eles como responsável pelo convite. Não há confirmação de que essa pessoa represente o Criança Esperança.
O formulário oficial da campanha sugere contribuições de R$ 10, R$ 20, R$ 40 e R$ 80 e permite ao usuário informar outro valor. Por isso, os R$ 5 não são, isoladamente, prova da fraude. Neste episódio, o pedido fazia parte de uma comunicação realizada a partir do número clonado e que conduzia o destinatário para fora da plataforma oficial de arrecadação.
A abordagem tinha ainda outra etapa. Os destinatários eram questionados sobre o uso de Android ou iPhone antes do suposto envio de um convite em PDF. Até agora, não há confirmação de que esse arquivo fosse malicioso nem de que a pergunta sobre o sistema operacional tivesse finalidade técnica específica.
Polícia Federal é acionada após clonagem
Segundo o SBT News, a Polícia Federal foi acionada nesta sexta-feira para investigar o caso. Ainda não foi esclarecido como o número de José Múcio foi comprometido, quem está por trás da fraude ou qual seria a finalidade das etapas posteriores ao primeiro contato.
Para pedidos de dinheiro recebidos por aplicativos de mensagens, o Banco Central recomenda confirmar a solicitação diretamente com a pessoa por outro meio antes de realizar uma transferência. No caso do Criança Esperança, o destinatário também pode conferir os meios disponíveis diretamente na plataforma oficial de doações.
A consequência prática para quem recebeu a mensagem é imediata: o pedido relacionado ao suposto evento não deve ser tratado como uma comunicação legítima de José Múcio. Para quem pretende contribuir com o Criança Esperança, a doação pode ser feita diretamente pelo ambiente oficial da campanha, sem recorrer aos contatos indicados pelos criminosos.