Acordo de Lula com Santos vira palco para críticas às bets

Acordo de Lula com Santos pelo CT Rei Pelé divide espaço com críticas às bets após clube suspender patrocínio da Novibet.
Lula posa com representantes do Santos durante encontro no Palácio do Planalto relacionado ao acordo sobre o CT Rei Pelé.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro com representantes do Santos no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (1º).(Imagem: Instagram).

A assinatura do acordo entre o governo federal e o Santos para regularizar o CT Rei Pelé ganhou nesta quinta-feira (1º) um assunto que foi além do terreno do clube. Diante de uma equipe que acaba de suspender seu patrocínio máster com a Novibet, ministros do governo defenderam no Palácio do Planalto um futebol menos dependente das casas de apostas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da formalização da cessão onerosa do imóvel da União. O acordo garante ao Santos o uso da área por 20 anos, prorrogáveis por igual período, mediante pagamento mensal de R$ 145.167,42, corrigido pelo IPCA. O clube também reconheceu dívida de cerca de R$ 23 milhões pelo uso anterior do terreno.

Críticas às bets entram no acordo de Lula com Santos

Foi durante a cerimônia que o advogado-geral da União, Jorge Messias, levou o debate das apostas para o evento. Ao defender um modelo de futebol menos dependente dessas empresas, o ministro lembrou que as principais conquistas da seleção brasileira ocorreram antes da expansão das bets no país.

Messias também citou a disputa entre Sport e Flamengo pelo título brasileiro de 1987 ao sustentar seu argumento. O ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro, afirmou que o futebol pode contribuir para o desenvolvimento social sem a “contaminação das bets”.

Lula participou da assinatura, mas não discursou na cerimônia. As críticas às casas de apostas partiram, portanto, dos ministros presentes no evento, e não podem ser atribuídas ao presidente.

Santos chega ao Planalto com Novibet suspensa

A discussão tem consequência concreta para o clube presente no Planalto. Na terça-feira (29), o Santos acertou a suspensão do contrato com a Novibet após a publicação da medida provisória que proibiu exploração, oferta, intermediação e publicidade das bets. O vínculo não foi rescindido e continua vigente.

Firmado em fevereiro por três temporadas, o contrato prevê R$ 35 milhões fixos por ano, além de parcela relacionada à movimentação dos torcedores na plataforma. Durante a suspensão, a Novibet deixa de estampar sua marca na camisa e os pagamentos mensais são interrompidos.

O Santos foi o primeiro clube do futebol brasileiro a adotar a suspensão depois da nova determinação, segundo reportagem do Estadão reproduzida pelo UOL. A informação, porém, entra como contexto, e não como novidade da pauta desta quinta-feira.

Com a paralisação, o clube passou a buscar acordos pontuais para suprir a lacuna comercial enquanto aguarda uma definição sobre o cenário regulatório.

CT Rei Pelé e Novibet seguem caminhos diferentes

A proximidade entre os acontecimentos não significa que exista relação entre eles. Não há evidência de que a cessão do CT Rei Pelé seja uma compensação pela suspensão do patrocínio, nem de que o acordo com o Santos tenha sido motivado pela política contra as bets.

O contraste está no próprio evento: enquanto o governo formalizava uma solução para a permanência do Santos no CT Rei Pelé, ministros defendiam diante do clube um futebol menos dependente das apostas. Para o Santos, a discussão ocorre quando os pagamentos de seu patrocinador máster estão suspensos. Contudo, o contrato com a Novibet ainda pode ser retomado conforme o desfecho regulatório.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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