A assinatura do acordo entre o governo federal e o Santos para regularizar o CT Rei Pelé ganhou nesta quinta-feira (1º) um assunto que foi além do terreno do clube. Diante de uma equipe que acaba de suspender seu patrocínio máster com a Novibet, ministros do governo defenderam no Palácio do Planalto um futebol menos dependente das casas de apostas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da formalização da cessão onerosa do imóvel da União. O acordo garante ao Santos o uso da área por 20 anos, prorrogáveis por igual período, mediante pagamento mensal de R$ 145.167,42, corrigido pelo IPCA. O clube também reconheceu dívida de cerca de R$ 23 milhões pelo uso anterior do terreno.
Críticas às bets entram no acordo de Lula com Santos
Foi durante a cerimônia que o advogado-geral da União, Jorge Messias, levou o debate das apostas para o evento. Ao defender um modelo de futebol menos dependente dessas empresas, o ministro lembrou que as principais conquistas da seleção brasileira ocorreram antes da expansão das bets no país.
Messias também citou a disputa entre Sport e Flamengo pelo título brasileiro de 1987 ao sustentar seu argumento. O ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro, afirmou que o futebol pode contribuir para o desenvolvimento social sem a “contaminação das bets”.
Lula participou da assinatura, mas não discursou na cerimônia. As críticas às casas de apostas partiram, portanto, dos ministros presentes no evento, e não podem ser atribuídas ao presidente.
Santos chega ao Planalto com Novibet suspensa
A discussão tem consequência concreta para o clube presente no Planalto. Na terça-feira (29), o Santos acertou a suspensão do contrato com a Novibet após a publicação da medida provisória que proibiu exploração, oferta, intermediação e publicidade das bets. O vínculo não foi rescindido e continua vigente.
Firmado em fevereiro por três temporadas, o contrato prevê R$ 35 milhões fixos por ano, além de parcela relacionada à movimentação dos torcedores na plataforma. Durante a suspensão, a Novibet deixa de estampar sua marca na camisa e os pagamentos mensais são interrompidos.
O Santos foi o primeiro clube do futebol brasileiro a adotar a suspensão depois da nova determinação, segundo reportagem do Estadão reproduzida pelo UOL. A informação, porém, entra como contexto, e não como novidade da pauta desta quinta-feira.
Com a paralisação, o clube passou a buscar acordos pontuais para suprir a lacuna comercial enquanto aguarda uma definição sobre o cenário regulatório.
CT Rei Pelé e Novibet seguem caminhos diferentes
A proximidade entre os acontecimentos não significa que exista relação entre eles. Não há evidência de que a cessão do CT Rei Pelé seja uma compensação pela suspensão do patrocínio, nem de que o acordo com o Santos tenha sido motivado pela política contra as bets.
O contraste está no próprio evento: enquanto o governo formalizava uma solução para a permanência do Santos no CT Rei Pelé, ministros defendiam diante do clube um futebol menos dependente das apostas. Para o Santos, a discussão ocorre quando os pagamentos de seu patrocinador máster estão suspensos. Contudo, o contrato com a Novibet ainda pode ser retomado conforme o desfecho regulatório.