Um equipamento antidrone usado pela segurança do Supremo Tribunal Federal (STF) chamou atenção nesta terça-feira (15), durante a sessão que analisa a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. A aparição levanta uma pergunta prática: quanto custa uma tecnologia desse tipo? O próprio STF já previu R$ 12 milhões para um equipamento antidrone dentro de um pacote de reforço da segurança da Corte.
A previsão foi divulgada em 2025, após o atentado a bomba ocorrido na Praça dos Três Poderes em novembro de 2024. O equipamento antidrone era o item mais caro de um conjunto de investimentos em segurança estimado em R$ 27,4 milhões. Segundo informações do relatório técnico do STF divulgadas à época, o sistema previsto teria alcance de até dois quilômetros.
Isso não permite afirmar que o aparelho utilizado nesta terça-feira seja o mesmo equipamento daquela previsão. Marca, modelo, fornecedor e valor do dispositivo visto durante a sessão não foram confirmados publicamente pelo STF.
Quanto pode custar um sistema antidrone?
Outros documentos públicos ajudam a dimensionar os valores dessa tecnologia. Uma ata de registro de preços gerenciada pela Polícia Federal alcançou R$ 59,2 milhões em sistemas contra drones destinados a eventuais aquisições de órgãos públicos.
A cifra não representa dinheiro já gasto. A Ata de Registro de Preços nº 03/2025 estabeleceu preços e quantitativos para sete sistemas estacionários e dez móveis, sem obrigar a administração a efetivar as compras.
Na ata, cada sistema aparece com preço unitário registrado de R$ 3.483.813,75. Na versão móvel, a especificação identifica o EnforceAir2 Tactical Kit, da D-Fend Solutions.
O kit ajuda a explicar por que um sistema antidrone pode ir muito além do equipamento semelhante a um fuzil visto em operações de segurança. A configuração registrada reúne unidade central SDR, quatro antenas Ultra-Wide Band, tablet robusto Panasonic, tripé ultraestável e duas maletas, além de fonte de alimentação e cabos.
Na divisão originalmente prevista, a Coordenação-Geral de Administração da PF tinha quantitativos de um sistema fixo e quatro móveis, correspondentes a R$ 17,419 milhões em preços registrados. A Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo aparece como participante com cinco sistemas fixos e cinco móveis, enquanto a Superintendência da PF na Bahia consta com um equipamento de cada tipo.
A ata também justifica a possibilidade de adesões pelo acesso de outros órgãos de segurança à tecnologia e menciona polícias militares, civis e penais estaduais. A referência não significa que essas corporações tenham comprado os equipamentos nem que todas sejam participantes da ata.
De R$ 22,8 milhões em 2025 a novos contratos em 2026
A tecnologia já aparece em investimentos efetivamente realizados. A Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) informa que R$ 22,8 milhões foram investidos em 2025 na aquisição e implantação do sistema C-UAS EnforceAir2 nas cinco penitenciárias federais.
A estrutura inclui seis plataformas fixas e cinco fuzis jammer inteligentes para detecção, identificação e neutralização de drones não autorizados. Em 2026, policiais penais federais começaram a receber treinamento para operar o sistema, inicialmente na Penitenciária Federal em Brasília.
Neste ano, a Polícia Federal também fez novas contratações. Em 17 de julho, assinou um contrato de R$ 2,298 milhões para aquisição de sistema de proteção contra drones, identificado como C-UAS, com vigência prevista até julho de 2031.
Menos de duas semanas depois, em 30 de julho, outro contrato para sistema C-UAS foi assinado pela PF por R$ 1,532 milhão, também com vigência de cinco anos. A página oficial desse contrato foi publicada em 8 de setembro, uma semana antes da sessão desta terça-feira no Supremo.
A PF ainda publicou um pregão para adquirir equipamento portátil destinado à “detecção e mitigação de ameaças de drones”, descrito no procedimento como “fuzil jammer, antidrone”. A abertura estava inicialmente prevista para 12 de agosto, mas a licitação aparece atualmente como suspensa.
Planejamento de 2027 prevê mais R$ 18,96 milhões
A tecnologia continua presente no planejamento público. O Plano de Contratações Anual de 2027 da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) prevê R$ 18.964.714,51 para “Drone, VANT e Sistema Antidrone”.
Esse valor é uma previsão de contratação, não dinheiro já gasto. A rubrica também inclui drones e veículos aéreos não tripulados, portanto não é possível atribuir os R$ 18,96 milhões exclusivamente a sistemas antidrone nem comparar diretamente essa cifra com os demais valores.
Os documentos revelam diferentes estágios de adoção da tecnologia, investimento realizado em 2025, contratos e licitação em 2026 e planejamento para 2027. Mas a pergunta provocada pelo equipamento visto nesta terça-feira continua parcialmente aberta: o STF previu R$ 12 milhões para um antidrone, mas não há confirmação pública de que seja o aparelho usado durante a sessão.
Sem marca, modelo, fornecedor e valor confirmados, não é possível estabelecer esse vínculo. O que já pode ser documentado é que sistemas contra drones passaram a aparecer em previsões, atas milionárias, contratos e investimentos de diferentes estruturas da segurança pública brasileira.